Sinopse: Depois de passar um tempo na prisão, Sailor Ripley (Nicolas Cage) reencontra sua namorada, Lula Fortune (Laura Dern), e eles viajam para a Califórnia. A mãe de Lula (Diane Ladd) não aceita o namoro e contrata um assassino profissional para matar Sailor.
Comentário: David Lynch (1946-2025) foi um diretor, roteirista, produtor, artista visual, músico e ator norte-americano. Conhecido por seus filmes surrealistas, ele desenvolveu um estilo cinematográfico próprio. Assisti dele: a obra-prima "O Homem Elefante" (1980), os ótimos "A Estrada Perdida" (1997), "Cidade dos Sonhos" (2001) e "Império dos Sonhos" (2006). Desta vez vou conferir "Coração Selvagem" (1990).
O que eu achei: Se comparado a outros filmes do diretor, eu acho "Coração Selvagem" um filme menor apesar dele ter recebido a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Ele parece oscilar entre o fascínio e o exagero, deixando o espectador dividido entre a estranheza típica do diretor e a sensação de que algo não se encaixa plenamente. A história de Sailor e Lula, vividos por Nicolas Cage e Laura Dern, mistura romance, violência e uma estética de conto de fadas distorcido - elementos que poderiam gerar uma obra arrebatadora, mas que, aqui, soam mais como peças de um quebra-cabeça que nunca se completa de forma satisfatória. O filme tem momentos marcantes, principalmente na direção de arte, na trilha sonora ousada e no carisma dos protagonistas, que sustentam boa parte da narrativa. Há também a mão inconfundível de Lynch em certas cenas surreais e na construção de personagens excêntricos, algo que costuma ser seu ponto forte. No entanto, a trama parece se perder entre o grotesco e o romântico, sem alcançar uma síntese que mantenha o ritmo e a coesão dramática. Algumas passagens beiram o pastiche, e a sensação é de que o filme quer abraçar muitas ideias ao mesmo tempo, mas não as desenvolve com a mesma profundidade que Lynch alcançaria em outras obras. O resultado é uma experiência desigual: não chega a ser sofrível pois há talento e inventividade ali, mas tampouco convence como grande cinema. "Coração Selvagem" acaba ficando no meio do caminho: interessante em alguns momentos, cansativo em outros, e, no fim, nada realmente memorável.
