27.8.18

"Soundtrack" - 300ml (Brasil, 2014)

Sinopse: Decidido a realizar uma exposição de arte, o fotógrafo Cris (Selton Mello) viaja até uma estação de pesquisa polar para se isolar e tirar selfies que capturem as sensações causadas por uma série de músicas pré-selecionadas. No local, ele conhece o botânico brasileiro Cao (Seu Jorge), o especialista britânico em aquecimento global Mark (Ralph Ineson), o biólogo chinês Huang (Thomas Chaanhing) e o pesquisador dinamarquês Rafnar (Lukas Loughran). Os cinco precisam conviver juntos e descobrem diferentes perspectivas sobre vida e arte.
Comentário: "Soundtrack" tem na direção uma dupla de publicitários - Manitou Felipe e Bernardo Dutra - que se autodenomina 300ml. O filme conta a história do fotógrafo Cris (Selton Mello) que resolve passar uns dias numa estação de pesquisa polar para executar, nesse ambiente inóspito, autorretratos feitos enquanto ele ouve uma determinada trilha sonora. O filme não é ruim, mas talvez ele parta de uma premissa de que, para criar, um artista precise sofrer. O filme teve desdobramentos (ou subprodutos como se diz na publicidade). Oskar Metsavaht - diretor-criativo da Osklen, participou do filme executando as fotografias do personagem Cris. Esses retratos foram organizados numa exposição apresentada no MIS, na qual cada retrato do Selton Mello foi exibido junto a um headphone onde era possível escutar exatamente o que o personagem do longa ouvia no momento do click.
O que eu achei: "Soundtrack", dirigido por dois publicitários, é um filme que chama a atenção mais pela proposta estética e pelo formato incomum do que pela força dramática ou narrativa. A história acompanha Cris, um fotógrafo brasileiro que viaja até uma estação polar isolada para produzir uma obra sonora e visual, tendo como pano de fundo as reflexões existenciais que esse cenário inóspito desperta. O que mais se destaca é a atmosfera melancólica e contemplativa, construída por meio da fotografia e da trilha sonora que, como o título sugere, assume papel central. O filme tenta unir a linguagem experimental da arte contemporânea ao drama humano, criando uma obra híbrida, entre a performance e o cinema narrativo, resultando num experimento audiovisual que intriga pelo formato e pelas ideias, mas que talvez fale mais com quem aprecia a interseção entre cinema e arte conceitual do que com o público em geral.