Sinopse: O sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa, Elio (Timothée Chalamet), está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda quando Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai, chega.
Comentário: Luca Guadagnino (1971) é um diretor, produtor e roteirista de cinema italiano. Seus filmes são caracterizados pela complexidade emocional, o erotismo e os visuais suntuosos. Ele recebeu vários prêmios, incluindo um Leão de Prata, além de indicações ao Oscar e três prêmios BAFTA. São dele os filmes “Um Sonho de Amor” (2009), “Suspíria - A Dança do Medo“ (2018), “Até Os Ossos“ (2022) e “Rivais“ (2023), dentre outros. “Me Chame Pelo Seu Nome” (2017) é o primeiro filme que vejo dele.
Trata-se de uma adaptação do romance homônimo de André Aciman. Segundo Beatriz Martínez para o El País, "Os direitos da obra literária haviam sido adquiridos por James Ivory, que aos 89 anos escreveu o roteiro do filme e trabalhou em sua adaptação ao lado de Luca Guadagnino. Este também deu um toque pessoal, situando a ação em 1983, ao que parece, para que os personagens mantivessem a inocência prévia à onda conservadora desencadeada por Reagan nos Estados Unidos e Thatcher no Reino Unido. E antes também do advento da AIDS como uma doença que acabaria se transformando numa arma política de medo para estigmatizar as relações homossexuais.
O resultado é uma delicadíssima adaptação da prosa de Aciman. Guadagnino, como provou em 'Mergulho No Passado' (2015), é um grande criador de atmosferas sugestivas. Em 'Me Chame Pelo Seu Nome', ele é capaz de suspender o tempo, de submergir o espectador num clima cálido e úmido, letárgico e hipnótico, onde até o som das cigarras e o suco de um damasco se transformam numa fonte de magnetismo erótico. (...) O filme não brinca com coisas que poderiam parecer desagradáveis, e sim com os sentimentos em estado puro. Tem algo de milagre. Consegue mostrar de forma muito nítida, ao mesmo tempo dolorosa e reconfortante, o que significa primeiro desejar, depois amar e finalmente perder. É um filme de aprendizagem, mas sua lição, por sorte, nunca acaba de ser totalmente aprendida. Assim, talvez venham filmes melhores este ano, mas nenhum será tão especial e tão emocionante, tão sensível e significativo quanto 'Me Chame Pelo Seu Nome'".
O que eu achei: "Me Chame Pelo Seu Nome" (2017) é daqueles filmes que parecem brotar da própria luz do verão, impregnando cada gesto, cada respiração e cada silêncio de uma intensidade rara. Luca Guadagnino constrói uma obra profundamente sensorial e, ao mesmo tempo, emocionalmente devastadora, que acompanha o despertar amoroso de Elio e Oliver com uma delicadeza quase hipnótica. Ambientado no norte da Itália, o filme transforma paisagens, livros, música e corpos em elementos de uma mesma coreografia luminosa. A câmera observa sem pressa, permitindo que os sentimentos amadureçam com o tempo quente, como os pêssegos que se tornam símbolo desse verão inesquecível. Timothée Chalamet entrega uma atuação extraordinária, capaz de traduzir em mínimos detalhes a confusão, o desejo e a vulnerabilidade do primeiro amor. Armie Hammer, por sua vez, encarna Oliver com uma mistura de força, charme e certa melancolia contida que acende imediatamente a tela. Mas talvez o momento mais marcante de todo o filme - e certamente um dos mais belos do cinema recente - seja a conversa entre Elio e seu pai. O diálogo, em que o pai não apenas aceita sem ressalvas a homossexualidade do filho, mas o acolhe com amor, lucidez e compreensão absoluta, é de uma sensibilidade profunda. É uma cena de humanidade cristalina, que desmonta qualquer defesa emocional. A maneira como o pai o encoraja a não desperdiçar a dor e o amor vividos, a valorizar a intensidade daquele sentimento e a permitir-se ser tocado pela experiência da vida, é simplesmente arrebatadora. Esse momento, tão terno e tão verdadeiro, é daqueles que tiram lágrimas dos olhos. Guadagnino faz aqui um cinema que transcende o drama romântico: ele cria uma celebração da descoberta, da perda e daquilo que permanece porque certos verões não acabam, apenas se transformam em memória. É um filme belíssimo, sensível e profundamente humano.
O que eu achei: "Me Chame Pelo Seu Nome" (2017) é daqueles filmes que parecem brotar da própria luz do verão, impregnando cada gesto, cada respiração e cada silêncio de uma intensidade rara. Luca Guadagnino constrói uma obra profundamente sensorial e, ao mesmo tempo, emocionalmente devastadora, que acompanha o despertar amoroso de Elio e Oliver com uma delicadeza quase hipnótica. Ambientado no norte da Itália, o filme transforma paisagens, livros, música e corpos em elementos de uma mesma coreografia luminosa. A câmera observa sem pressa, permitindo que os sentimentos amadureçam com o tempo quente, como os pêssegos que se tornam símbolo desse verão inesquecível. Timothée Chalamet entrega uma atuação extraordinária, capaz de traduzir em mínimos detalhes a confusão, o desejo e a vulnerabilidade do primeiro amor. Armie Hammer, por sua vez, encarna Oliver com uma mistura de força, charme e certa melancolia contida que acende imediatamente a tela. Mas talvez o momento mais marcante de todo o filme - e certamente um dos mais belos do cinema recente - seja a conversa entre Elio e seu pai. O diálogo, em que o pai não apenas aceita sem ressalvas a homossexualidade do filho, mas o acolhe com amor, lucidez e compreensão absoluta, é de uma sensibilidade profunda. É uma cena de humanidade cristalina, que desmonta qualquer defesa emocional. A maneira como o pai o encoraja a não desperdiçar a dor e o amor vividos, a valorizar a intensidade daquele sentimento e a permitir-se ser tocado pela experiência da vida, é simplesmente arrebatadora. Esse momento, tão terno e tão verdadeiro, é daqueles que tiram lágrimas dos olhos. Guadagnino faz aqui um cinema que transcende o drama romântico: ele cria uma celebração da descoberta, da perda e daquilo que permanece porque certos verões não acabam, apenas se transformam em memória. É um filme belíssimo, sensível e profundamente humano.
