Sinopse: Pistoleiro (James Stewart) ganha em concurso o melhor rifle do mundo, o Winchester 73. Mas ele é roubado e o pistoleiro sai em busca da arma, que por fatalidades diversas passa de mão em mão, espalhando a morte.
Comentário: Segundo Rubens Ewald Filho, trata-se de "um clássico do gênero muito imitado. Primeiro dos cinco westerns feitos por Anthony Mann com o astro Stewart. Ele foi pioneiro num acordo com um estúdio menor - como era a Universal na época - ganhando parte da bilheteria em troca de menor salário, abrindo o precedente que se tornaria norma dali em diante.
Apesar de Stewart fazer o personagem principal, fica em cena apenas cerca de metade do tempo, dando espaço para o real protagonista, o rifle do título, que funciona como uma metáfora do poder, produtivo nas mãos certas, destrutivo, enlouquecedor e mortal nas erradas.
Um filme sombrio e violento, com personagens estranhos e Stewart iniciando sua série de papéis rudes e sorumbáticos, indo contra sua persona habitual da época. Foi um dos primeiros westerns psicológicos, que depois floresceriam nas décadas de 50 e 60, trazendo novos questionamentos para os personagens característicos do gênero".
O que eu achei: Em “Winchester ’73” (1950), Anthony Mann transforma um western aparentemente clássico em algo mais tenso e psicológico. O filme acompanha a trajetória de um lendário rifle que passa de mão em mão no Velho Oeste, conectando diferentes personagens e situações, sempre marcadas por violência e obsessão. Protagonizado por James Stewart, em um de seus papéis mais sombrios, o longa acompanha sua busca por vingança contra um inimigo do passado. Essa parceria com Mann marcou uma mudança importante na carreira de Stewart, que aqui abandona sua imagem mais ingênua para encarnar um personagem mais duro e ambíguo. O grande mérito do filme está na forma como utiliza o rifle como eixo narrativo, quase como um personagem simbólico, atravessando histórias e revelando diferentes facetas do Oeste americano. Cada novo “dono” do Winchester acrescenta uma camada à narrativa, ampliando a sensação de um mundo violento e imprevisível. A direção de Mann é precisa, explorando bem as paisagens e criando uma atmosfera de tensão constante. Há um cuidado em desenvolver os conflitos internos dos personagens, algo que diferencia o filme de westerns mais tradicionais da época. Muito bom em sua construção, “Winchester ’73” se destaca por ir além do gênero, trazendo densidade psicológica e uma narrativa inteligente. É um western que, sem abrir mão da ação, aposta na complexidade dos personagens e na força simbólica de sua história. Gostei bastante.
