21.8.11

"Invictus" - Clint Eastwood (EUA, 2009)

Sinopse: O filme acompanha o período em que Nelson Mandela (Morgan Freeman) sai da prisão (1990), torna-se presidente e vira um ícone mundial. Na tentativa de diminuir a segregação racial na África do Sul, o rugby é utilizado para tentar amenizar o fosso entre negros e brancos, fomentado por quase 40 anos. O jogador François Pienaar (Matt Damon) é o capitão do time e será o principal parceiro de Mandela na empreitada.
Comentário: Clint Eastwood (1930) é um cineasta e ator americano. Assisti dele os ótimos "Menina de Ouro" (2004), "A Conquista da Honra" (2006) e "Cartas de Iwo Jima" (2006) e os bons "A Troca" (2008) e "Gran Torino" (2008). Desta vez vou conferir "Invictus" (2009). 
Segundo Celso Sabadin do Cine Click, "na vida real, esporte e política sempre caminharam lado a lado. É só lembrar, por exemplo, dos esforços de Hitler para tentar provar a tal 'supremacia ariana', durante as Olimpíadas pré-Segunda Guerra. Ou da exploração da imagem da seleção brasileira de futebol durante a ditadura Médici em 1970 (idem Argentina em 78), ou ainda do atentado contra atletas judeus nas Olimpíadas de Munique, em 1972. Isso apenas para citar alguns exemplos". 
Este se baseia no livro "Playing the Enemy: Nelson Mandela and the Game that Made a Nation" (Jogando com o Inimigo: Nelson Mandela e o Jogo que Criou uma Nação), escrito por John Carlin. 
O que eu achei: Em “Invictus” (2009) Clint Eastwood aborda um episódio emblemático da história recente da África do Sul ao narrar a relação entre Nelson Mandela e a seleção nacional de rúgbi no período pós-apartheid. O filme aposta numa abordagem clássica e conciliadora, tratando o esporte como instrumento de união nacional e reconciliação simbólica. A encenação é limpa, clara e funcional, sem grandes riscos formais. O resultado é bom, mas excessivamente confortável. Eastwood simplifica tensões políticas profundas em favor de uma narrativa inspiracional, o que torna o filme acessível, porém pouco complexo. Os conflitos são apresentados de maneira esquemática, e a dramaticidade segue um caminho previsível, apoiada mais na força do fato histórico do que em ambiguidade ou densidade dramática. “Invictus” funciona como um drama histórico correto e bem-intencionado, sustentado por boas interpretações e por uma mensagem positiva, mas não vai muito além disso. Falta-lhe o peso crítico e a aspereza presentes nos melhores filmes do diretor. De qualquer forma é um longa interessante. Boa pedida.