5.2.11

"Janela Indiscreta" - Alfred Hitchcock (EUA, 1954)

Sinopse: Jeff (James Stewart) é um repórter fotográfico incapacitado de exercer sua profissão temporariamente por causa de uma perna quebrada. Como ele é muito ativo, suas fotos sempre foram de situações perigosas ao extremo. Jeff precisa urgentemente de algo para ocupar o seu tempo livre. Espiando através da janela de seu apartamento a vida dos vizinhos, ele passa a desconfiar que um homem matou sua mulher e escondeu o corpo. Com a ajuda de sua noiva Lisa (Grace Kelly), Jeff vai, a todo custo, tentar provar que está certo.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele os seguintes filmes:
- as obras-primas: "Os Pássaros" (1936) e "Festim Diabólico" (1948);
- os ótimos: "O Inquilino" (1927), "Chantagem e Confissão" (1929), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943), "Interlúdio" (1946), "Disque M para Matar" (1954) e "O Homem Que Sabia Demais" (1956);
os bons: "Os 39 Degraus" (1935), "O Agente Secreto" (1936), "A Estalagem Maldita" (1939), "Correspondente Estrangeiro" (1940) e "Pavor nos Bastidores" (1950).
Desta vez vou conferir "Janela Indiscreta" (1954).
Segundo Celso Sabadin, "Missão impossível: escrever alguma coisa que ainda não tenha sido escrita sobre 'Janela Indiscreta'. (...) Explorando a visão de um fotógrafo que munido de sua teleobjetiva espiona os apartamentos vizinhos, 'Janela Indiscreta' trabalha magistralmente com toda a amplidão da tela grande. Situações e personagens desfilam pelos olhos de James Stewart (e pelos nossos) de forma fragmentada e magnética. Não é raro ver um ou outro espectador - no escurinho do cinema - inclinando um pouco o corpo aqui e ali para tentar 'enxergar' algum centímetro de cena que a câmera de Hithcock não mostrou. Puro cinema interativo realizado muitos anos antes do termo sequer ter sido inventado. É o voyerismo fílmico elevado à sua máxima potência". 
O que eu achei: "Janela Indiscreta" (1954) de Alfred Hitchcock é mais uma obra-prima na extensa filmografia do diretor. O conceito narrativo do longa é simplesmente brilhante. Toda a história é contada a partir do ponto de vista do protagonista, confinado em seu apartamento. A tensão é magistralmente construída, indo dos pequenos detalhes cotidianos à descoberta de um possível crime, com um crescendo de suspense perfeitamente calculado. O enorme set construído para representar o pátio e os apartamentos vizinhos é um exemplo impressionante de direção de arte e planejamento cênico. No elenco, James Stewart brilha, trazendo humor, humanidade e fragilidade ao personagem, que observa tudo sem poder agir diretamente. Grace Kelly está inesquecível com sua presença sofisticada e seu figurino icônico que traz charme e dinamismo à trama. Além da dupla, temos os personagens secundários com histórias próprias, todos moradores do prédio que o protagonista observa, cada um com uma micro-história, enriquecendo o filme e dando profundidade ao universo narrativo. Nada aqui é supérfluo. Cada movimento de câmera e cada corte é parte essencial da narrativa. Outro ponto forte é a trilha sonora e os sons vindo de rádios, pianos e da própria vida dos vizinhos. Por conta de envolver a temática da fotografia, ele é especialmente indicado para quem gosta do assunto, pois o filme é essencialmente sobre observar e enquadrar o mundo. A forma como Hitchcock utiliza janelas, molduras e perspectivas lembra a construção de uma fotografia, com atenção meticulosa à luz, à composição e ao ponto de vista. Além disso, o protagonista é um fotógrafo profissional, e sua câmera funciona como uma extensão do olhar do espectador, transformando cada cena em um quadro cuidadosamente planejado. Finaliza como uma baita reflexão sobre voyeurismo, moralidade, relações humanas e solidão urbana, mantendo-se atual até hoje e reafirmando Hitchcock como um diretor de primeira grandeza. Um filmaço, uma obra-prima absoluta.