4.12.10

"Sobre Cafés e Cigarros" - Jim Jarmusch (EUA, 2003)

Sinopse: Atores, atrizes e cantores como Roberto Benigni, Bill Murray, Iggy Pop, Cate Blanchett, Tom Waits, dentre outros, participam de uma série de curtas que têm em comum o fato de que todos tomam café, fumam e conversam sobre temas diversos.
Comentário: Jim Jarmusch (1953) é um cineasta americano. Ao longo de sua carreira, ele tem sido notável pelo estilo idiossincrático de seus filmes, que são quase sempre produções independentes, com orçamento limitado. Um autêntico representante do cinema independente. "Sobre Café e Cigarros" (2003) é o primeiro filme que vejo dele.
Segundo Luiz Carlos Oliveira Jr, do Contracampo, "Jim Jarmusch foi alguém que não titubeou em pegar todos os rótulos que emprestavam à sua geração e transformou-os em experiência significativa dentro de seu cinema. Tédio, cinismo, alienação, banalidade: tudo o inspirou na composição de um cinema tão mais charmoso quanto mais se aproxima do nada absoluto. 'Coffe and Cigarettes' é uma coletânea de curtas realizados desde os anos 80 até recentemente, e condensa o ápice não só da proposta blasé – posada mesmo – de Jarmusch, mas também do seu humor peculiar. Fazer do nada um acontecimento (conquista warholiana que se infiltrou pela arte contemporânea de forma muitas vezes canhestra) envolve um mecanismo tão silencioso quanto intrincado. É preciso, antes de tudo, resgatar a poesia desse nada, recriá-lo enquanto forma, signo, potência, escritura. (...) Ao contrário do processo mais comumente detectado, Jarmusch não deixou que os clichês escurecessem sua visão do mundo, e sim puncionou do engarrafamento de signos da cultura pop – em que acabava incluído nem que fosse por osmose – a força criativa para uma obra de beleza inegável".
O longa reúne 11 curtas-metragens sobre diferentes personagens que, ao beber café e a fumar cigarros, discutem à volta da mesa os mais variados assuntos, tais como picolés com cafeína, Abbott & Costello, a ressurreição de Elvis Presley, a forma correta de preparar um chá tipicamente inglês, as invenções de Nikola Tesla, brigas familiares, a cidade de Paris nos loucos anos 20, rock, hip hop e o uso da nicotina como inseticida para as pragas.
No elenco: Roberto Benigni (Roberto), Steven Wright (Steven), Cinquée Lee (Gêmeo malvado), Joie Lee (Gêmeo bondoso), Steve Buscemi (Garçom), Iggy Pop (Iggy), Tom Waits (Tom), Joseph Rigano (Joe), Vinny Vella (Vinny), Vinny Vella Jr. (Vinny Jr.), Renee French (Renee), E.J. Rodriguez (Garçom), Alex Descas (Alex), Isaach De Bankolé (Isaac), Cate Blanchett (Cate / Shelly), Mike Hogan (Garçom), Jack White (Jack), Meg White (Meg), Alfred Molina (Alfred), Steve Coogan (Steve), Katy Hanz (Katy), Bill Murray (Bill Murray), William Rice (Bill) e Taylor Mead (Taylor).
O que disse a crítica: Marcelo Costa do site Scream & Yell achou o filme mediano. Disse: "Não dá para considerar 'Coffee and Cigarettes' um filme. Autor de obras fortes como 'Estranhos no Paraíso' (1984), 'Down by Law' (1986), 'Mystery Train' (1989) e 'Dead Man' (1995), Jarmusch apenas exercita sua maneira de ver o mundo em pequenos relatos cheios de cinismo, tédio, banalidade e silêncios. O ponto mais interessante do filme, no entanto, é sua correlação com a realidade. Jarmusch filma as personas de alguns ícones do cinema e da música em um momento de pretensa realidade. A brincadeira acaba sendo a grande sacada do filme, afinal, será que Iggy Pop é realmente daquele jeito, ou está atuando como Iggy Pop? No entanto, no fiel da balança, por mais que existam pontos em comum entre os esquetes, e as referências tentem aproximar alguns trechos, 'Coffee and Cigarettes' carece de unidade. Os momentos bons são muito bons. Os ruins são muito ruins. E o resultado é mediano".
Mario "Fanaticc" Abbade do site Omelete gostou. Disse: "'Sobre Café e Cigarros' já nasceu cult. Um filme experimental de um diretor que constantemente procura se desafiar com um trabalho inovador, o que lhe garantiu uma posição de destaque no cinema independente".
O que eu achei: "Sobre Café e Cigarros" (2003) é um filme composto por curtas-metragens que, apesar de sua simplicidade e estrutura episódica, reúne originalidade, humor sutil e atemporalidade, explorando o comportamento humano através de diálogos banais, mas interessantes, em situações cotidianas que giram em torno dos cafés e cigarros consumidos pelos 'atores'. A fotografia em preto e branco, a escolha dos enquadramentos e a atenção aos detalhes visuais dão uma unidade ao conjunto já que as 11 pequenas histórias começaram a ser filmadas em 1986 e só terminaram 17 anos depois. Muita gente não gosta do resultado já que alguns encontros são ótimos enquanto outros nem tanto, mas se você encarar como um trabalho experimental de um diretor que constantemente procura se desafiar e se pensar na oportunidade de estar com um elenco que reúne pessoas muito interessantes do mundo da arte, não sairá decepcionado.