Sinopse: O filme se passa no dia 06 de outubro de 1973, dia do Yom Kippur, um feriado judeu (o dia do perdão). A história é contada do ponto de vista dos jovens Amos Weinraub (Liron Levo) e seu amigo Ruso (Tomer Russo), dois israelenses pegos de surpresa num dia tranquilo de feriado, recebendo a notícia de que deverão partir imediatamente para o campo de batalha pois o país está sendo atacado. Eles tentam apresentar-se à sua unidade, porém a confusão é tanta que eles acabam se envolvendo com um médico (Pini Mittleman) e vão parar no centro dos ataques para resgatar feridos.
Comentário: Amos Gitaï (1950) é um cineasta israelense. "Kippur - O Dia do Perdão" (2020) é o primeiro filme que vejo dele.
Para entender o filme, vale a pena saber que os judeus são europeus, americanos ou mesmo brasileiros que se identificam como um único povo através da religião: o judaísmo.
Acontece que, após a II Guerra, quando houve o Holocausto, parte dos judeus que conseguiram escapar vivos fugiram para o Oriente Médio. Como na Bíblia há uma passagem que diz que a Palestina seria a terra prometida aos judeus, eles resolveram expulsar de lá seus verdadeiros donos (os palestinos) e criaram no local o Estado de Israel, hoje praticamente todo habitado por judeus.
Claro que a tomada do país e a expulsão dos palestinos criou fortes inimizades na região gerando guerras e mais guerras. O dia 06 de outubro de 73 - que trata o filme - foi um dia marcado por um ataque de dois povos fronteiriços: egípcios e sírios, ambos identificados com a causa palestina.
Na época, Golda Meir era a presidente do Estado de Israel, cuja capital é Tel Aviv. O Egito e a Síria deflagraram um ataque ao monte Sinai e às montanhas de Golan, em poder dos israelenses. Tal ataque ficou conhecido como a "Guerra do Yom Kippur".
A história tem forte cunho autobiográfico, já que se baseia nas memórias do próprio diretor Amos Gitaï, que é israelense e tem o nome Weinraub como nome do meio.
O que eu achei: Trata-se de um drama de guerra ambientado durante o conflito de 1973 entre Israel e países árabes, conhecido como Guerra do Yom Kippur. Inspirado em experiências pessoais do próprio diretor, que serviu como socorrista durante o conflito, o filme acompanha dois jovens soldados que se voluntariam para integrar uma equipe de resgate aéreo responsável por retirar feridos do campo de batalha. Longe de adotar a estrutura tradicional de filmes de guerra centrados em estratégias militares ou heroísmos exaltados, "Kippur" (2000) opta por uma abordagem mais sensorial e fragmentada. A narrativa enfatiza o caos, a lama, o cansaço e a desorientação dos soldados, frequentemente por meio de longos planos-sequência que acompanham os personagens em deslocamentos difíceis sob chuva e fogo cruzado. A guerra é apresentada menos como espetáculo e mais como experiência física e psicológica extenuante. O filme evita discursos inflamados ou posicionamentos ideológicos explícitos. Em vez disso, concentra-se na vulnerabilidade humana diante da violência e na sensação de impotência que atravessa os personagens. Não há glamourização do combate, tampouco construção de vilões individualizados; o foco permanece na experiência imediata dos jovens envolvidos, ressaltando o absurdo e a brutalidade da situação. Embora possa parecer arrastado em alguns momentos, especialmente para quem espera maior dinamismo narrativo, o ritmo contemplativo contribui para reforçar a proposta de imersão. "Kippur – O Dia do Perdão" resulta, assim, em um filme sólido e reflexivo, que aborda um episódio histórico delicado sem triunfalismos, priorizando a dimensão humana do conflito e oferecendo uma visão marcada mais pelo desgaste e pela ambiguidade do que por certezas ou celebrações.
