Sinopse: Após seu pai alemão ser condenado como espião, Alicia Huberman (Ingrid Bergman), uma jovem mulher, passa a se refugiar entre bebida e homens. É assim que se aproxima do agente do governo T. R. Devlin (Cary Grant), que pergunta se ela concorda em ser uma espiã americana no Rio de Janeiro, onde nazistas amigos do pai dela estão operando.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele os seguintes filmes:
- os ótimos: "O Inquilino" (1927), "Chantagem e Confissão" (1929), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943), "Disque M para Matar" (1954) e "O Homem Que Sabia Demais" (1956);
- os bons: "Os 39 Degraus" (1935), "O Agente Secreto" (1936), "A Estalagem Maldita" (1939), "Correspondente Estrangeiro" (1940) e "Pavor nos Bastidores" (1950).
Desta vez vou conferir "Interlúdio" (1946).
O roteiro é baseado em "The Song of the Dragon", história de John Taintor Foote, que não foi creditado como roteirista. Segundo Rodrigo Carreiro do Cine Repórter, "'Interlúdio' consiste de dois filmes organizados habilmente em uma só estrutura narrativa. Ambas são histórias eletrizantes, emocionantes, perfeitas. Na superfície, o longa-metragem é uma história de espionagem, em que dois espiões norte-americanos precisam desvendar um diabólico plano concebido por fugitivos nazistas no Rio de Janeiro, logo após a II Guerra Mundial. Neste nível, 'Interlúdio' é empolgante, mesmo sem conter uma única cena de ação física. A outra história – aquela que realmente interessa – é mais profunda, mais dramática e mais universal. Trata-se do velho triângulo amoroso clássico, em que dois homens disputam o amor de uma mulher. Uma segunda camada de significados, ainda mais rica e eletrizante do que a primeira".
O que eu achei: Que química impecável temos no elenco principal deste longa: Ingrid Bergman e Cary Grant entregam atuações sofisticadas e a relação ambígua entre seus personagens adiciona tensão emocional à narrativa. Como vilão temos o também ótimo Claude Rains que interpreta um antagonista complexo e quase trágico, fugindo do maniqueísmo típico de muitos thrillers da época. É com essa atmosfera carregada de romance e suspense que Hitchcock cria um equilíbrio raro entre o filme de espionagem e o melodrama, construindo um suspense crescente e elegante com um roteiro inteligente e refinado. Atenção ao maravilhoso travelling que vai da varanda até a chave na mão de Ingrid Bergman e à expressiva trilha sonora de Roy Webb que intensifica os momentos de perigo e de romance sem ser intrusiva. Um filme sobre amor, sacrifício e lealdade que vale cada minuto.
