1.11.10

"Bola de Fogo" - Howard Hawks (EUA, 1941)

Sinopse: Uma sexy cantora de boate (Barbara Stanwyck) se refugia numa casa onde oito professores - incluindo Bertram Potts (Gary Cooper) - trabalham na elaboração de uma enciclopédia, na tentativa de se livrar de um interrogatório judicial.
Comentário: Howard Hawks (1896-1977) foi um diretor de cinema, produtor e roteirista americano da era clássica de Hollywood. Conhecido por sua versatilidade, Hawks explorou muitos gêneros, como comédias, dramas, thriller policial, ficção científica, noir, filmes de guerra e faroestes. Assisti dele os ótimos "Jejum de Amor" (1940) e "Hatari!" (1962) e o bom "Levada da Breca" (1938). Desta vez vou conferir "Bola de Fogo" (1941).
Segundo Daniel Dalpizollo do Cineplayers, "boa parte dos filmes de Howard Hawks segue uma semelhante estrutura em que um grupo de homens, deslocados em um microcosmo social bem específico constituído a partir de seu trabalho, vê a vida virar de pernas pro ar a partir do momento em que este espaço é invadido por uma mulher – personagens geralmente belas e sedutoras, quando não destrutivas. 
Surgem deste embate duas das principais temáticas trabalhadas pelo diretor: a relação do homem com o seu trabalho e os riscos que ele gera e o quanto uma mulher pode bagunçar a vida destes machos tão aplicados. 
'Bola de Fogo' foi filmado logo após sua melhor comédia, 'Jejum de Amor' (1940), e retorna a esta fórmula depois da pausa para um filme absolutamente transloucado e informal, quando não propriamente maluco. Mas a maluquice, vale lembrar, permanece aqui firme e forte, também remetendo muitas vezes ao exagero subversivo da anárquica fase final de sua carreira".
O que eu achei: "Bola de Fogo" (1941) mostra Howard Hawks em pleno domínio da comédia, mas dentro de um registro mais leve e menos incisivo do que seus maiores acertos no gênero. A premissa - um grupo de professores ingênuos que estuda a língua inglesa confrontado com o mundo do gângsterismo e do jazz - é engenhosa e rende situações divertidas, sobretudo pelo contraste entre erudição e cultura popular. Gary Cooper funciona bem como o acadêmico deslocado, e Barbara Stanwyck traz energia e sensualidade à narrativa, quebrando a rigidez intelectual do ambiente masculino. Ainda assim, o filme parece mais interessado em seu conceito do que em levá-lo a consequências realmente memoráveis. Hawks conduz a história com profissionalismo e humor constante, mas sem o ritmo endiabrado ou a ferocidade verbal de comédias como "Jejum de Amor" (1940). Alguns personagens secundários, embora simpáticos, soam excessivamente caricatos, e o tom por vezes oscila entre sátira e farsa romântica sem atingir plena harmonia. "Bola de Fogo" é, portanto, um filme agradável, bem feito e cheio de momentos inspirados, mas que permanece um degrau abaixo dos grandes clássicos do diretor. Um exemplo sólido de sua versatilidade, mais apreciável pelo conjunto do que por um impacto duradouro.