Sinopse: O desenho conta a história de Rodney Lataria, um aspirante a inventor, que viaja para Robópolis para conhecer seu ídolo, o Grande Soldador, um robô gordo cuja função é consertar robôs com problemas. Porém, ao chegar à cidade, o que ele vê é uma indústria que fabrica e vende peças novas e caras, transformando os robôs velhos, pobres e defeituosos em sucata derretida. Com isso o Grande Soldador está aposentado e precisará da ajuda do idealista Rodney para voltar à ativa.
Comentário: Trata-se de uma animação computadorizada dos criadores de "A Era do Gelo".
O site Cinema em Cena publicou: "Revelando-se um verdadeiro espetáculo visual, 'Robôs' conta com um design de produção impecável: dos personagens aos cenários, o filme mantém o público sempre surpreso com a dimensão da criatividade dos animadores, que prestam particular atenção aos detalhes (observe, por exemplo, os símbolos utilizados para identificar os banheiros masculino e feminino, em certo momento da projeção).
Concebendo Robopólis como um mecanismo imenso e azeitado, os diretores Chris Wedge e Carlos Saldanha (brasileiro, por sinal) demonstram uma inspiração incomparável ao apresentarem o sistema de transporte da metrópole, numa sequência que certamente encantará as crianças (e seus acompanhantes mais velhos, por que não dizer?).
Da mesma forma, cada personagem surge com um visual diferente e incrivelmente expressivo: do desengonçado Manivela ao imponente Grande Soldador, cada habitante de Robopólis exibe, em suas formas, algo sobre sua personalidade ou função social: Dom Aço tem uma carcaça de aspecto frio e impessoal, enquanto Rodney surge com cores agradáveis mas discretas. E como esquecer de Tia Turbina, cujo traseiro é tão grande que tem até luz de ré?"
O que eu achei: Achei "Robôs" (2005) um filme excelente porque ele consegue unir inventividade visual, ritmo narrativo e uma mensagem clara sem abrir mão do entretenimento. O longa constrói um universo totalmente mecânico que não se limita ao impacto estético: cada detalhe visual dialoga diretamente com a ideia de identidade, funcionalidade e obsolescência. A história de Rodney Copperbottom, um robô idealista que acredita poder melhorar o mundo com criatividade e empatia, funciona como eixo emocional do filme. O conflito entre inovação e padronização industrial dá ao roteiro uma dimensão social clara, tornando a narrativa acessível para crianças, mas também significativa para o público adulto. O humor é constante e bem distribuído, sustentado por personagens secundários carismáticos e situações visualmente inventivas. Visualmente, "Robôs" se destaca pela imaginação aplicada ao design: corpos desmontáveis, engrenagens expostas e soluções mecânicas transformam o espaço urbano em um grande playground criativo. Essa abordagem reforça o tom lúdico do filme sem comprometer a clareza da narrativa. Vale destacar a participação de Carlos Saldanha, diretor brasileiro nascido no Rio de Janeiro, que construiu sua carreira nos Estados Unidos dentro da Blue Sky Studios. Antes de "Robôs", ele já havia codirigido "A Era do Gelo", e mais tarde se tornaria conhecido também pela franquia "Rio". Sua presença em "Robôs" é significativa por marcar a consolidação de um cineasta brasileiro em posições centrais da animação hollywoodiana. No conjunto, "Robôs" me parece excelente por equilibrar espetáculo visual, humor e uma mensagem afirmativa sobre criatividade e individualidade, sem perder fluidez nem apelo popular. Excelente.
