23.9.10

"O Aviador" - Martin Scorsese (EUA/Japão, 2004)

Sinopse: Howard Hughes (Leonardo DiCaprio) ficou milionário já aos 18 anos devido à herança que seu pai, um inventor texano, deixou para ele. Pouco depois se mudou para Los Angeles, onde passou a investir na indústria do cinema. Hughes ajudou a carreira de vários astros, como Jean Harlow (Gwen Stefani), e ainda trabalhou em filmes de grande sucesso, como "Hell's Angels" (1930), que dirigiu. Paralelamente se dedicou a uma de suas maiores paixões, a aviação, e se envolveu com as atrizes Katharine Hepburn (Cate Blanchett) e Ava Gardner (Kate Beckinsale).
Comentário: Martin Scorsese (1942) é um diretor de cinema norte-americano. "O Aviador" (2004) é o primeiro filme que vejo dele.
A produção, que reconstrói a Hollywood dos anos 30, é toda desenhada por Dante Ferretti, que trabalha sempre com Scorsese. O fio narrativo do enredo se baseia na história real do engenheiro aeronáutico e cineasta Howard Robard Hughes Jr. (1905-1976), revelando seu lado playboy, neurótico e milionário. Mas a ênfase é dada ao que Hughes era antes de tudo: um aviador, responsável por quebrar recordes de velocidade e distância e principalmente por investir sua fortuna pessoal na aviação. 
O longa foi vencedor dos Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Cate Blanchett), Melhor Direção de Arte, Melhor Cenografia, Melhor Edição e Melhor Figurino.
O que eu achei: Em “O Aviador” (2004), Martin Scorsese mergulha na vida de Howard Hughes, figura fascinante que transitou entre Hollywood, a aviação e o mundo dos negócios. O filme acompanha sua ascensão como produtor ambicioso e visionário, responsável por projetos grandiosos, ao mesmo tempo em que revela a deterioração causada por seus transtornos obsessivo-compulsivos. No centro de tudo está Leonardo DiCaprio, que entrega uma atuação sólida, especialmente ao retratar a progressiva fragilidade emocional de Hughes. DiCaprio consegue equilibrar carisma e estranheza, mostrando tanto o brilho do homem que queria conquistar os céus quanto o isolamento crescente de alguém aprisionado pela própria mente. Scorsese constrói o filme com um apuro técnico impressionante. A recriação da era de ouro de Hollywood é detalhada, com destaque para a fotografia que evoca o visual dos filmes da época, além das sequências aéreas, que trazem energia e grandiosidade à narrativa. Há também espaço para figuras importantes da vida de Hughes, como Katharine Hepburn, que surge como um contraponto leve e espirituoso em meio ao caos interno do protagonista. Ainda assim, apesar de suas qualidades, “O Aviador” não atinge o mesmo impacto de outras obras do diretor. Em certos momentos, o filme parece excessivamente longo e um pouco disperso, como se tivesse dificuldade em equilibrar o retrato íntimo com a grandiosidade da trajetória de Hughes. Mesmo assim, o resultado é um bom filme: envolvente, bem interpretado e visualmente marcante, um retrato interessante de um homem dividido entre genialidade e obsessão.