Sinopse: Inglaterra, anos 30. Uma jovem estudante chamada Iris Henderson (Margareth Lockwood), sai do interior para ir a Londres e, durante a viagem de trem, conhece uma simpática velhinha chamada Mrs. Froy (Dame May Whitty), que desaparece misteriosamente com o trem em movimento. A história toda gira em torno da procura incessante pela senhora, que aparentemente todos os passageiros negam a existência.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele os ótimos "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943) e "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e os bons "Os 39 Degraus" (1935) e "O Agente Secreto" (1936). Desta vez vou conferir "A Dama Oculta" (1938).
Com o roteiro baseado em "The Wheel Spins" de Ethel Lina White, "A Dama Oculta" apresenta em seu enredo todas as características que transformaram Hitchcock no mestre do suspense. Ele é considerado um dos clássicos da fase britânica do cineasta. Ambientado quase totalmente dentro de um trem em movimento, traz surpreendentes movimentos de câmera para a época. A habitual aparição de Hictchcok ocorre quase ao final do filme, na Victoria Station, fumando um cigarro.
O que eu achei: “A Dama Oculta” (1938) é um filme que começa de forma leve, com viajantes em um trem europeu, até que uma senhora desaparece misteriosamente, e a protagonista, interpretada por Margaret Lockwood, percebe que algo está errado. A partir daí, a história se transforma em um jogo de intriga e perseguição, com o diretor mantendo o ritmo ágil e sempre envolvente. Um dos grandes trunfos do filme é o equilíbrio entre suspense e momentos cômicos, principalmente graças à dupla de personagens interpretada por Naunton Wayne e Basil Radford, que rouba a cena com seu humor britânico característico. Ao mesmo tempo, a química entre Margaret Lockwood e Michael Redgrave dá peso à trama principal, mantendo o público interessado tanto no mistério quanto no relacionamento que se desenvolve ao longo da narrativa. Do ponto de vista técnico, Hitchcock faz um uso inteligente dos espaços confinados do trem para criar tensão, enquanto conduz a história com fluidez até o clímax. Super recomendo.
