
Comentário: Trata-se de um anime adaptado do livro "The Imaginary" (O Imaginário), escrito pelo autor britânico A. F. Harrold. O roteiro adaptado foi escrito por Yoshiaki Nishimura. Os desenhos foram feitos a mão.
Rafael Motamayor do site Slash Film publicou: "Animação e terror formam uma combinação peculiar e complexa. Embora o Ocidente já tenha visto filmes de animação infantil descambarem para o terror puro diversas vezes, com animes a situação é ainda mais complicada, onde, na maioria das vezes, o terror se resume a uma quantidade enorme de sangue ou horror corporal. Mesmo assim, quando a atmosfera de terror não funciona em um filme de animação, é provável que ele ainda apresente um monstro ou vilão aterrorizante. Isso se confirma desde os primórdios da animação nos Estados Unidos, quando 'Branca de Neve' assombrou inúmeras crianças com a Rainha Má.
Essa tradição praticamente desapareceu, já que desenhos animados inspirados no terror estão se tornando cada vez mais raros a cada ano. Isso só torna os filmes que ainda resgatam o poder do terror em um contexto voltado para o público infantil ainda mais impactantes. É o caso de 'O Imaginário', o novo filme do Studio Ponoc, que nossa própria BJ Colangelo descreveu em sua crítica como 'uma façanha de animação de tirar o fôlego, com uma história poderosa que o torna um clássico geracional em potencial'.
No filme, um amigo imaginário chamado Rudger é perseguido por um monstro, que se parece com um velho sinistro de camisa havaiana chamado Sr. Bunting. Porém, por baixo dessa aparência, ele é um dos monstros mais assustadores da história recente do cinema para todas as idades. Como o roteirista e produtor Yoshiaki Nishimura contou ao Slash Film no Festival de Cinema de Animação de Annecy, havia planos para muito mais do Sr. Bunting do que vemos no filme. 'Existe uma saga sobre a história de fundo', disse Nishimura por meio de um tradutor. 'Infelizmente, não temos tempo suficiente para entrar em detalhes [no filme], levaria muito tempo'.
No mundo de 'O Imaginário', o Sr. Bunting é uma espécie de bicho-papão para amigos imaginários, um mito sobre um monstro que literalmente devora amigos imaginários porque não tem mais imaginação própria. Ele é uma espécie de cruzamento entre a garça titular de 'O Menino e a Garça', de Miyazaki, e Pennywise, o Palhaço, de 'It', de Stephen King, o que significa que, quando se aproxima, revela uma segunda forma muito mais assustadora e ameaçadora. Quando o Sr. Bunting ataca e tenta matar Rudger, ele abre a boca mais do que qualquer ser vivo deveria ser capaz, sua garganta se expandindo ao infinito enquanto os gritos dos amigos imaginários podem ser ouvidos em seu interior.
Embora ele funcione perfeitamente como um vilão com uma história de fundo bastante vaga, é fascinante ver o quanto Nishimura se dedicou à história de Bunting independentemente do romance original de A.F. Harrold e ilustrado por Emily Gravett, especialmente porque essa parte acabou não sendo vista. 'Ele é alguém que viveu por muito tempo, cerca de 300 anos, e acho que ele representa aqueles que sofreram grandes perdas ao longo do tempo', disse o escritor.
Segundo Nishimura, Bunting foi 'roubado de algo que realmente era valorizado pelos pais', e isso explica em parte quem ele se tornou no filme. Ele representa o pior cenário possível para uma criança com imaginação fértil e simboliza o que aconteceria se Amanda nunca perdesse Rudger, se ela se apegasse ao amigo imaginário dele e não o deixasse ir. De fato, no filme, descobrimos que Bunting quer continuar vendo seu amigo imaginário e, para isso, consome outros amigos imaginários, assim como Pennywise faz com crianças.
Se o Sr. Bunting já não fosse assustador o suficiente, ele está sempre acompanhado de sua amiga imaginária, uma garota que 'cheira a podridão e é fria como um picolé', que por acaso se parece muito com Sadako de 'Ringu'. O design da personagem é baseado na ilustração original do livro, que Nishimura admite 'se parecia muito com personagens de terror japoneses como Sadako', com o diretor Yoshiyuki Momose inicialmente desenhando a garota com 'um ar mais severo, um olhar realmente frio e assustador'. De fato, se Bunting é o Lorde das Trevas que ataca no último segundo, então sua amiga imaginária é uma Nazgûl que persegue suas presas e as prepara para serem devoradas. Para piorar a situação, ela pode mudar de forma e se transformar em monstros gigantes e criaturas voadoras aterrorizantes.
Ao falar sobre a adição de elementos de terror em 'O Imaginário', Nishimura disse que 'também é necessário entender que este é o mundo real e eu não queria mimar as crianças para protegê-las, para que vivessem numa bolha sem realmente encarar o medo'. Essa é a chave de 'O Imaginário', um filme que trata do poder da imaginação e do encantamento, mas que não se furta a mostrar que, muitas vezes, a imaginação é um mecanismo de defesa para escapar dos horrores da realidade. E, na verdade, quando o Sr. Bunting e sua capanga Sadako fazem parte da sua realidade, faça tudo o que puder para fugir para bem longe".
O que disse a crítica 1: Siddhant Adlakha do site The Daily Beast não gostou. Disse: "Justo quando se aproxima de momentos comoventes, o filme se desvia para muitas direções confusas e repletas de tramas, o que impede que ele alcance um desfecho emocional satisfatório".
O que disse a crítica 2: Tom Spoors do site Loud and Clear avaliou com 4,5 estrelas, ou seja, excelente. Escreveu: "'O Imaginário' é um título muito apropriado, já que a quantidade de ideias imaginativas exibidas a cada segundo é impressionante. Embora haja momentos que inevitavelmente parecem uma pálida imitação de algumas das melhores obras do estúdio Ghibli, há material original e empolgante o suficiente para que eu ainda recomende 'O Imaginário' de todo o coração para qualquer pessoa que queira se emocionar. Ele evoca as melhores partes de brincar com o amigo imaginário da infância, ao mesmo tempo que consegue rechear sua narrativa com lições profundas e reflexões maduras".
O que eu achei: Em “O Imaginário” (2023), Yoshiyuki Momose - fundador do Studio Ponoc - demonstra com clareza a herança artística que carrega após anos trabalhando no Studio Ghibli e colaborando diretamente com Hayao Miyazaki, revelando uma forte ligação com essa tradição estética e narrativa. Isso se percebe tanto no cuidado visual quanto na forma como o fantástico se entrelaça ao cotidiano. Baseado no livro “The Imaginary”, de A. F. Harrold, o filme parte de uma ideia instigante: investigar o destino dos amigos imaginários quando eles deixam de ser necessários e as crianças os abandonam. A partir daí, o longa se desenrola numa narrativa rica, que transita entre aventura e reflexão, explorando temas como solidão, perda, luto e o papel da imaginação na infância. Visualmente, é um espetáculo. Os desenhos feitos à mão são lindíssimos, com atenção minuciosa aos detalhes e uma fluidez que reforça o caráter onírico da história. Há claras similaridades com obras como o alucinante “A Viagem de Chihiro”, especialmente na integração entre o mundo real e o imaginário, no olhar sensível sobre a infância e no ritmo contemplativo que valoriza pequenos gestos e silêncios. Por outro lado, o roteiro complexo e a duração de cerca de 1h45 podem dificultar o engajamento de crianças pequenas, que talvez não acompanhem plenamente a proposta. Mesmo para pré-adolescentes, há uma exigência de atenção absoluta, pois a condução narrativa por vezes soa um pouco confusa, com passagens que poderiam ser mais claras. Outro ponto que vale destacar é a coragem que o longa tem em explorar temas sombrios. Desde uma cobra estrangulando uma menina até o desaparecimento de um importante personagem secundário, o filme utiliza imagens relativamente fortes para uma animação voltada para a família, retratando a crueldade do mundo e o quão sombrio nosso imaginário pode se tornar. Ainda assim, vale assistir pois ele se sustenta pela força de sua ideia central e pela beleza de sua execução.
Rafael Motamayor do site Slash Film publicou: "Animação e terror formam uma combinação peculiar e complexa. Embora o Ocidente já tenha visto filmes de animação infantil descambarem para o terror puro diversas vezes, com animes a situação é ainda mais complicada, onde, na maioria das vezes, o terror se resume a uma quantidade enorme de sangue ou horror corporal. Mesmo assim, quando a atmosfera de terror não funciona em um filme de animação, é provável que ele ainda apresente um monstro ou vilão aterrorizante. Isso se confirma desde os primórdios da animação nos Estados Unidos, quando 'Branca de Neve' assombrou inúmeras crianças com a Rainha Má.
Essa tradição praticamente desapareceu, já que desenhos animados inspirados no terror estão se tornando cada vez mais raros a cada ano. Isso só torna os filmes que ainda resgatam o poder do terror em um contexto voltado para o público infantil ainda mais impactantes. É o caso de 'O Imaginário', o novo filme do Studio Ponoc, que nossa própria BJ Colangelo descreveu em sua crítica como 'uma façanha de animação de tirar o fôlego, com uma história poderosa que o torna um clássico geracional em potencial'.
No filme, um amigo imaginário chamado Rudger é perseguido por um monstro, que se parece com um velho sinistro de camisa havaiana chamado Sr. Bunting. Porém, por baixo dessa aparência, ele é um dos monstros mais assustadores da história recente do cinema para todas as idades. Como o roteirista e produtor Yoshiaki Nishimura contou ao Slash Film no Festival de Cinema de Animação de Annecy, havia planos para muito mais do Sr. Bunting do que vemos no filme. 'Existe uma saga sobre a história de fundo', disse Nishimura por meio de um tradutor. 'Infelizmente, não temos tempo suficiente para entrar em detalhes [no filme], levaria muito tempo'.
No mundo de 'O Imaginário', o Sr. Bunting é uma espécie de bicho-papão para amigos imaginários, um mito sobre um monstro que literalmente devora amigos imaginários porque não tem mais imaginação própria. Ele é uma espécie de cruzamento entre a garça titular de 'O Menino e a Garça', de Miyazaki, e Pennywise, o Palhaço, de 'It', de Stephen King, o que significa que, quando se aproxima, revela uma segunda forma muito mais assustadora e ameaçadora. Quando o Sr. Bunting ataca e tenta matar Rudger, ele abre a boca mais do que qualquer ser vivo deveria ser capaz, sua garganta se expandindo ao infinito enquanto os gritos dos amigos imaginários podem ser ouvidos em seu interior.
Embora ele funcione perfeitamente como um vilão com uma história de fundo bastante vaga, é fascinante ver o quanto Nishimura se dedicou à história de Bunting independentemente do romance original de A.F. Harrold e ilustrado por Emily Gravett, especialmente porque essa parte acabou não sendo vista. 'Ele é alguém que viveu por muito tempo, cerca de 300 anos, e acho que ele representa aqueles que sofreram grandes perdas ao longo do tempo', disse o escritor.
Segundo Nishimura, Bunting foi 'roubado de algo que realmente era valorizado pelos pais', e isso explica em parte quem ele se tornou no filme. Ele representa o pior cenário possível para uma criança com imaginação fértil e simboliza o que aconteceria se Amanda nunca perdesse Rudger, se ela se apegasse ao amigo imaginário dele e não o deixasse ir. De fato, no filme, descobrimos que Bunting quer continuar vendo seu amigo imaginário e, para isso, consome outros amigos imaginários, assim como Pennywise faz com crianças.
Se o Sr. Bunting já não fosse assustador o suficiente, ele está sempre acompanhado de sua amiga imaginária, uma garota que 'cheira a podridão e é fria como um picolé', que por acaso se parece muito com Sadako de 'Ringu'. O design da personagem é baseado na ilustração original do livro, que Nishimura admite 'se parecia muito com personagens de terror japoneses como Sadako', com o diretor Yoshiyuki Momose inicialmente desenhando a garota com 'um ar mais severo, um olhar realmente frio e assustador'. De fato, se Bunting é o Lorde das Trevas que ataca no último segundo, então sua amiga imaginária é uma Nazgûl que persegue suas presas e as prepara para serem devoradas. Para piorar a situação, ela pode mudar de forma e se transformar em monstros gigantes e criaturas voadoras aterrorizantes.
Ao falar sobre a adição de elementos de terror em 'O Imaginário', Nishimura disse que 'também é necessário entender que este é o mundo real e eu não queria mimar as crianças para protegê-las, para que vivessem numa bolha sem realmente encarar o medo'. Essa é a chave de 'O Imaginário', um filme que trata do poder da imaginação e do encantamento, mas que não se furta a mostrar que, muitas vezes, a imaginação é um mecanismo de defesa para escapar dos horrores da realidade. E, na verdade, quando o Sr. Bunting e sua capanga Sadako fazem parte da sua realidade, faça tudo o que puder para fugir para bem longe".
O que disse a crítica 1: Siddhant Adlakha do site The Daily Beast não gostou. Disse: "Justo quando se aproxima de momentos comoventes, o filme se desvia para muitas direções confusas e repletas de tramas, o que impede que ele alcance um desfecho emocional satisfatório".
O que disse a crítica 2: Tom Spoors do site Loud and Clear avaliou com 4,5 estrelas, ou seja, excelente. Escreveu: "'O Imaginário' é um título muito apropriado, já que a quantidade de ideias imaginativas exibidas a cada segundo é impressionante. Embora haja momentos que inevitavelmente parecem uma pálida imitação de algumas das melhores obras do estúdio Ghibli, há material original e empolgante o suficiente para que eu ainda recomende 'O Imaginário' de todo o coração para qualquer pessoa que queira se emocionar. Ele evoca as melhores partes de brincar com o amigo imaginário da infância, ao mesmo tempo que consegue rechear sua narrativa com lições profundas e reflexões maduras".
O que eu achei: Em “O Imaginário” (2023), Yoshiyuki Momose - fundador do Studio Ponoc - demonstra com clareza a herança artística que carrega após anos trabalhando no Studio Ghibli e colaborando diretamente com Hayao Miyazaki, revelando uma forte ligação com essa tradição estética e narrativa. Isso se percebe tanto no cuidado visual quanto na forma como o fantástico se entrelaça ao cotidiano. Baseado no livro “The Imaginary”, de A. F. Harrold, o filme parte de uma ideia instigante: investigar o destino dos amigos imaginários quando eles deixam de ser necessários e as crianças os abandonam. A partir daí, o longa se desenrola numa narrativa rica, que transita entre aventura e reflexão, explorando temas como solidão, perda, luto e o papel da imaginação na infância. Visualmente, é um espetáculo. Os desenhos feitos à mão são lindíssimos, com atenção minuciosa aos detalhes e uma fluidez que reforça o caráter onírico da história. Há claras similaridades com obras como o alucinante “A Viagem de Chihiro”, especialmente na integração entre o mundo real e o imaginário, no olhar sensível sobre a infância e no ritmo contemplativo que valoriza pequenos gestos e silêncios. Por outro lado, o roteiro complexo e a duração de cerca de 1h45 podem dificultar o engajamento de crianças pequenas, que talvez não acompanhem plenamente a proposta. Mesmo para pré-adolescentes, há uma exigência de atenção absoluta, pois a condução narrativa por vezes soa um pouco confusa, com passagens que poderiam ser mais claras. Outro ponto que vale destacar é a coragem que o longa tem em explorar temas sombrios. Desde uma cobra estrangulando uma menina até o desaparecimento de um importante personagem secundário, o filme utiliza imagens relativamente fortes para uma animação voltada para a família, retratando a crueldade do mundo e o quão sombrio nosso imaginário pode se tornar. Ainda assim, vale assistir pois ele se sustenta pela força de sua ideia central e pela beleza de sua execução.