4.1.26

"A Hora do Mal" - Zach Cregger (EUA, 2025)

Sinopse:
Numa noite qualquer, exatamente às 2h17 da madrugada, todos os alunos da sala da professora Gandy (Julia Garner) acordaram, fugiram de suas casas e sumiram, com exceção de um único jovem: o tímido Alex Lilly (Cary Christopher). Sem nenhum sinal de arrombamento, violência ou sequestro, a cidade inteira passa a exigir respostas – especialmente da professora - sobre o que pode ter acontecido.
Comentário: Zach Cregger (1981) é um comediante, ator e cineasta americano. Ele é membro fundador do grupo de comédia The Whitest Kids U' Know e estrelou as sitcoms "Friends with Benefits" (2011), "Guys with Kids" (2012-2013) e "Wrecked" (2016-2018). Ele escreveu e dirigiu dois filmes de terror: "Noites Brutais" (2022) e "A Hora do Mal" (2025), o primeiro filme que vejo dele.
Célio Silva do site G1 nos conta que " Alguns filmes de terror recentes como 'Longlegs', 'Fale Comigo' e até mesmo 'Pecadores' têm chamado a atenção pela boa mistura de gêneros, o que deixa o público intrigado e, ao mesmo tempo, fascinado com suas propostas. 'A Hora do Mal' (...) é mais um bom exemplo de que o gênero está numa fase bastante frutífera e não tão limitado a dar apenas sustos baratos. (...)
Ambientada na pequena cidade de Maybrook, a trama mostra o impacto causado entre os moradores quando 17 alunos de uma mesma sala de aula acordam numa noite ao mesmo tempo, saem de suas casas correndo e desaparecem misteriosamente. Inconformados, os pais passam a culpar Justine Gancy (Julia Garner), professora das crianças, pelo sumiço de seus filhos.
Em busca de respostas, ela começa a investigar o que está acontecendo na comunidade e o que estaria por trás do estranho desaparecimento. No caminho, ela busca pistas com Archer Graff (Josh Brolin), pai de um dos meninos desaparecidos, e Alex Lilly (Cary Christopher), a única criança que estudava na sala de Justine e que não sumiu no meio da noite, como seus colegas. Só que, durante sua procura pela verdade, ela vai descobrir coisas sinistras que estão muito além do que podia imaginar.
Uma das coisas que mais chama a atenção em 'A Hora do Mal' é a forma como o diretor e roteirista Zach Cregger, que ganhou bastante popularidade com o seu filme anterior, 'Noites Brutais' (2022), conduz seu mais recente projeto. Com uma estrutura que lembra bastante 'Rashomon' (1950), de Akira Kurosawa, e 'Magnólia' (1996), de Paul Thomas Anderson (algo que o próprio diretor confirmou em entrevistas), o longa conta a história do desaparecimento a partir de seis personagens. Assim, a trama começa pelo ponto de vista de Justine, passa para o de Archer, vai para o de Paul (Alden Ehrenreich), um policial que se envolve meio que sem querer nas investigações, e por aí vai. Contar mais pode estragar algumas das ótimas surpresas que o filme revela. (...)
Além da ótima direção e do roteiro exemplar de Cregger (que também co-assina a incrível trilha sonora junto com Hays Holladay e Ryan Holladay), 'A Hora do Mal' também se beneficia de um bom elenco, cujos maiores destaques vão para os protagonistas interpretados por Josh Brolin e Julia Garner. O ator Josh Brolin, mais conhecido do público jovem por suas participações em filmes da Marvel, como 'Vingadores: Ultimato' e 'Deadpool 2', transmite bem a revolta e o desespero pelo desaparecimento misterioso das crianças. Sem cair na caricatura, Brolin mostra a evolução de seu personagem, que sai de uma inércia nos primeiros minutos do filme para alguém disposto a tudo para descobrir o paradeiro de seu filho, mesmo que tenha que lidar com forças que não compreende totalmente. Já Garner tem um trabalho um pouco mais difícil porque sua Justine demonstra ter várias camadas à medida que a trama avança, tornando-a mais tridimensional. A atriz, que também entrou para o time da Marvel como a Surfista Prateada de 'Quarteto Fantástico: Primeiros Passos', convence em seus momentos de tristeza e dor por ser responsabilizada pelo sumiço de seus alunos e que, por isso, deixa alguns de seus demônios internos possuírem sua alma. Ao lado do personagem Brolin, numa parceria inusitada, ela também torna plausível sua busca pela verdade (e por sua inocência).
Outro destaque do elenco é o ator mirim Cary Christopher, que tem uma forte transição de uma criança alegre para melancólica após o misterioso evento em sua sala de aula. Ele tem diversas cenas em que precisa dar conta sozinho em momentos-chave da trama e se sai muito bem.
Vale ressaltar também a ótima participação da atriz veterana Amy Maddigan, que rouba todas as cenas em que aparece. Bennedict Wong como Marcus, chefe de Justine, marca presença por protagonizar um dos momentos mais perturbadores do filme".
O que disse a crítica 1: Guilherme Jacobs do site Omelete avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Disse: "O segundo maior mérito de 'A Hora do Mal' é construir essa atmosfera sem se tornar pedante ou apelar para imagens chocantes feitas para emular a realidade, mas apostando no clima de tensão e incerteza para cumprir o objetivo. E digo o segundo maior mérito, porque não há como não celebrar o final deste filme como seu grande feito. Cregger encerra 'A Hora do Mal' com um espetáculo violento, uma sequência imprevisível que imediatamente se anuncia como essencial ao ser encenada, em que o fator surpresa se transforma numa satisfação visceral. É um tiro no alvo, na hora certa".
O que disse a crítica 2: Bruno Botelho dos Santos do site Adoro Cinema avaliou com 4,5 estrelas, ou seja, excelente. Escreveu: "'A Hora do Mal' é um exame de nossa sociedade e o que acontece quando perdemos o controle. As 'Armas' – tradução do título original 'Weapons' – são aqueles problemas enraizados e que nos ferem coletivamente, sendo que as maiores vítimas são justamente as crianças. Estamos todos marcados e reféns".
O que eu achei: O filme começa mostrando o que a sinopse já adianta: são 2h17 da madrugada e 17 crianças saem de suas casas como se fossem sonâmbulas, seus braços estão abertos como se estivessem brincando de voar, a trilha sonora que embala a cena é Beware of Darkness do George Harrison. Apesar de trágica, a cena é lindíssima. Essas crianças desaparecem e a cidade vai precisar se mobilizar pra descobrir o que houve. Todas essas crianças são da sala de aula da professora Gandy interpretada por Julia Garner, num papel difícil que transita entre a linha tênue de uma jovem mulher frágil e delicada, mas que também é alcoólatra e sai com homens comprometidos. O filme é puro entretenimento. Dividido em capítulos que mostram como cada morador da cidade viveu aquele dia, vamos construindo um quebra-cabeça que vai chegar ao final com uma explicação plausível e bem amarrada, dentro de seu universo fantasioso onde o sobrenatural existe. Apesar de algumas especulações e até críticas, o longa é zero planfetário. Ele até chega a mostrar uma cena no qual o pai de uma dessas crianças vê no céu, em sonho, a imagem de uma arma - "Weapons", o título original do longa, significa "Armas" - nos lembrando os frequentes ataques que acontecem em escolas nos EUA, mas isso é apenas um devaneio paterno de alguém que dorme preocupado sobre o que teria ocorrido com seu filho. Então não espere nenhuma mensagem para a humanidade pois não é um filme com pretensões elevadas. Trata-se apenas e tão somente de um filme de terror bem executado, com um roteiro muito habilidoso, que vai te deixar 2hs intrigado ao mesmo tempo que tem passagens hilárias. Mais um ótimo filme de terror para se juntar à safra de 2025 e que poderá levar a atriz Amy Madigan a disputar o Oscar de Melhor Coadjuvante. A conferir.