24.3.20

“Mal dos Trópicos” - Apichatpong Weerasethakul (França/Tailândia, 2004)

Sinopse: A vida é feliz e o amor é simples para os jovens Keng (Banlop Lomnoi) e Tong (Sakda Kaewbuadee). Keng é um soldado e Tong trabalha no campo. O tempo passa, ritmado pelas noites na cidade, pelos jogos de futebol e pelas agradáveis reuniões na casa da família de Tong. Um dia, quando as vacas da região começam a ser decapitadas por um animal selvagem, Tong desaparece. A lenda diz que um homem pode se transformar em animal selvagem. Keng parte então sozinho para o coração da floresta tropical, onde o mito muitas vezes se torna realidade.
Comentário: Apichatpong Weerasethakul (1970) é um diretor tailandês que faz filmes pouco convencionais. Assisti dele os ótimos "Síndromes e Um Século" (2006) e "Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas" (2010) e os bons "Hotel Mekong" (2012) e "Cemitério do Esplendor" (2015), além do curioso "Blue" (2018). Desta vez vou assistir "Mal dos Trópicos" (2004).
O filme narra a história de um soldado e um camponês que vivem um romance, mas a narrativa se transforma após o desaparecimento do camponês, levando o soldado a uma jornada mítica na selva em busca dele, inspirada pelo folclore tailandês e pela ideia de transformações.
A primeira parte acompanha o cotidiano e o amor entre o soldado Keng e o camponês Tong, com um tom naturalista e bucólico. Na segunda parte, após o desaparecimento de Tong, o filme muda radicalmente, focando na jornada de Keng pela selva e sua busca por um animal misterioso que está matando as vacas da região.
A obra explora o amor, a natureza, o mistério do submundo selvagem e a reencarnação, com a ideia de que um homem pode se transformar em animal, de acordo com uma lenda local.
O longa não segue uma narrativa linear e tradicional, alternando entre o natural e o mítico de forma abrupta.
O filme ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2004, o que o projetou internacionalmente. Além de Cannes, a obra foi premiada na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e foi citado em listas de melhores filmes da década pela revista Cahiers du Cinéma.
O que eu achei: Filmes do Apichatpong nunca são muito fáceis de assistir nem fáceis de decifrar. Eu acho que fiquei fã do diretor justamente pela trabalheira intelectual que exige. Ele nunca será unanimidade popular. "Mal dos Trópicos" (2004) é lento, exige paciência e atenção, como todos os demais. Dividido em duas partes, temos uma primeira metade com poucos diálogos, mostrando o relacionamento entre dois jovens: Keng e Tong. Na segunda metade o filme muda. Keng parte para a floresta e se envolve numa narrativa mitológica ou xamânica, cheia de mistérios e lendas de fantasmas, muito simbólica e passível de diversas interpretações. Uma parte completa a outra em seu significado. Prossigo na minha meta de ver todos os filmes desse diretor que traz a sua Tailândia pra este nosso ocidente tão carente de conhecimentos ancestrais.