8.3.20

“Graças a Deus” - François Ozon (França/Bélgica, 2019)

Sinopse: Um dia, depois de muitos anos, Alexandre toma coragem para escrever uma carta à Igreja Católica, revelando um segredo: quando era criança, foi abusado sexualmente pelo padre Preynat. Os psicólogos da Igreja tentam ajudar, mas não conseguem ocultar o fato de que o criminoso jamais foi afastado do cargo. Pelo contrário, continua atuando junto a crianças. Alexandre toma coragem e publica sua carta, o que logo faz aparecerem outras denúncias de abuso, todas contra o mesmo pároco.
Comentário: Este filme se baseia numa história real ocorrida em Lyon sobre um padre que abusou durante muitos anos de mais de 80 crianças. Bastou uma rápida pesquisa no Google para eu encontrar notícias oficiais sobre o caso. O próprio site do Vaticano informa que perante essas denúncias o padre Bernard Preynat foi afastado do cargo. Sua posição dentro do grupo de escoteiros que tinha fundado e guiado era dupla: ele era o líder e o capelão, e sendo considerado culpado dos abusos sexuais contra os menores, o tribunal eclesiástico decidiu aplicar a pena máxima prevista pelo direito da Igreja, ou seja, sua demissão do estado clerical. Ele ainda espera um processo civil cuja data ainda não foi fixada. Outro envolvido no caso era o cardeal Philippe Barbarin, que conhecia o comportamento do pedófilo, acobertava os casos ocultando-os, o que o levou à condenação, em março de 2019, a seis meses de liberdade condicional. Essa condenação foi por não informar os crimes à Justiça e por manter o padre na diocese até 2015, apesar de Preynat já ter confessado seus atos a seus superiores em 1991. Barbarin pediu sua renúncia do cargo, contudo, na ocasião, o papa Francisco recusou-se a aceitá-la até que a condenação transitasse em julgado. Nesta última 6a feira (06/03/20), ele foi absolvido em segunda instância, e pediu novamente ao Papa sua renúncia que, desta vez, foi aceita. O filme foi  vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim.