Sinopse: Seduzido por uma moça vinda da cidade (Margaret Livingston), um fazendeiro (George O’Brien) resolve livrar-se de sua mulher (Janet Gaynor) afogando-a, mas desiste no último momento. Esta foge para a cidade, mas ele a segue para provar o seu amor.
Comentário: Friedrich W. Murnau (1888 -1931) foi um dos mais importantes realizadores do cinema mudo, do cinema expressionista alemão e do estilo Kammerspiel. "Nosferatu" (1922), uma adaptação pessoal da novela "Dracula", de Bram Stoker, é o filme mais conhecido da sua obra (em boa parte perdida), juntamente com "A Última Gargalhada" (1924) e "Fausto" (1926). Em 1926, emigrou para Hollywood, onde, antes de morrer prematuramente aos 43 anos, realizaria o aclamado "Aurora" (1927). Vários de seus filmes estão perdidos. O seu último trabalho, "Tabu" (correalização com Robert Flaherty), foi filmado nos mares do sul, longe dos grandes estúdios e estreado postumamente. Atualmente é um filme cultuado, e marca uma quebra com a estética dos seus filmes anteriores. Assisti dele a obras-prima "Nosferatu" (1922), os excelentes "A Última Gargalhada" (1924) e "Tartufo" (1925) e o curioso “Caminhada Noite Adentro” (1920).
O que eu achei: O longa que já completa 93 anos de existência é uma beleza. Ele foi o primeiro longa que o alemão F. W. Murnau rodou nos Estados Unidos, país para onde se mudou em 1926 - a convite de William Fox - e onde realizou os quatro últimos filmes de sua carreira: "Aurora" (1927), "Os Quatro Diabos" (1928), "O Pão Nosso de Cada Dia" (1930) e "Tabu" (1931). É um dos primeiros filmes a usar o som gravado direto na película, são sons do ambiente e vozes (sem diálogos) e com diversos experimentos com imagens, usando e abusando da sobreposição de takes, por exemplo, e com os cenários cheios de referências ao expressionismo alemão. O roteiro de Carl Meyer é baseado no livro "Viagem a Tilsit" do escritor alemão Hermann Sudermann. Trata-se de um melodrama típico dos anos 20 que deve ser assistido levando-se em conta o período em que foi feito, com sua moral de época. Fã que sou do filme "Nosferatu" que ele rodou em 1922, saí do filme reverenciando ainda mais o diretor. Para mim ele é um gênio.
