14.2.20

"O Baile" - Ettore Scola (França/Argélia/Itália, 1983)

Sinopse: Um passeio pelo mundo da dança retratado através de um salão francês, onde pessoas das mais diferentes idades se reúnem para dançar ritmos variados. A história viaja no tempo, indo dos anos 1920 até 1983, com o surgimento da disco music.
Comentário: Ettore Scola (1931-2016) foi um cineasta italiano. Ele estudou direito em Roma, passando depois ao jornalismo, ao rádio e ao trabalho como argumentista. Sua estreia como realizador deu-se em 1964, com a comédia "Fala-se de Mulheres". Seguiram-se outros filmes como "Nós Que Nos Amávamos Tanto" (1974), que ganhou o Prêmio César de melhor filme estrangeiro. "O Baile" (1983) é o primeiro filme que vejo dele.
O filme é uma adaptação do espetáculo que o Théatre du Campagnol tinha montado em Paris, com encenação de Jean-Claude Penchenat. É um teatro filmado, mostra apenas o salão de baile mudando a roupa, a música e o estilo de dança, contando parte da história da França, da década de 1930 à década de 1980. 
O que eu achei: Com “O Baile” (1983), Ettore Scola propõe uma experiência cinematográfica singular: contar a história da França do século XX sem uma única linha de diálogo, apenas por meio da música, da dança e dos gestos dos personagens. A ideia é engenhosa e o resultado revela o talento de Scola para a encenação e a direção de atores, já que o filme se apoia inteiramente na expressividade corporal e na ambientação minuciosa de um salão de baile que atravessa as décadas. A trilha sonora, variando conforme o período histórico, é outro ponto forte e confere ritmo e identidade às diferentes épocas. No entanto, apesar da proposta interessante e do apuro técnico, “O Baile” pode se tornar cansativo de assistir. A ausência de falas, que inicialmente soa como um gesto poético e inovador, acaba perdendo força à medida que a repetição de coreografias e situações toma conta da narrativa. O filme tem valor como experimento formal, mas achei que faltou-lhe envolvimento emocional. No fim, apesar de ter achado o longa original na sua concepção, terminei de ver relativamente cansada e desinteressada. Conheço muita gente que gostou mas, para mim, valeu no máximo pela curiosidade.