28.10.19

"Na Própria Pele - O Caso Stefano Cucchi" - Alessio Cremonini (Itália, 2018)

Sinopse: Stefano Cucchi (Alessandro Borghi) foi detido pela polícia acusado de posse ilegal de drogas e de tráfico. Dias depois, ele foi encontrado morto em sua cela preventiva, em estado de desnutrição e com diversos hematomas. As investigações do caso evidenciam um lado sombrio do sistema judicial italiano.
Comentário: Alessio Cremonini (1976) é um cineasta e roteirista italiano. Atua principalmente como diretor e coautor de roteiros, com trabalhos voltados ao cinema de ficção e ao documentário, frequentemente relacionados a temas sociais e institucionais. Seu trabalho costuma dialogar com acontecimentos reais e questões contemporâneas da sociedade italiana. Entre seus filmes mais conhecidos estão "Na Própria Pele - O Caso Stefano Cucchi" (2018), que lhe deu projeção internacional, e documentários como "C’è Un Soffio di Vita Soltanto" (2010). "Na Própria Pele - O Caso Stefano Cucchi" (2018) é o primeiro filme que vejo dele.
O roteiro foi escrito pelo diretor Alessio Cremonini em parceria com Lisa Nur Sultan, e o filme é estrelado por Alessandro Borghi no papel principal. Com 100 minutos de duração, a obra foi lançada no Festival de Veneza de 2018, sendo exibida nos cinemas italianos e distribuída internacionalmente pela Netflix.
O filme é uma adaptação cinematográfica baseada em fatos reais, inspirada nos últimos dias de vida do italiano Stefano Cucchi, um jovem de 31 anos que morreu em outubro de 2009, enquanto estava sob custódia do Estado italiano. A narrativa tem início com sua prisão em Roma, após ser encontrado com pequenas quantidades de drogas, e acompanha sua passagem pelas instituições de detenção durante o período em que aguardava o processo judicial. Ao longo desse intervalo, o filme retrata a deterioração progressiva de sua condição física, a rápida perda de peso e suas interações com autoridades e profissionais do sistema de justiça.
Os acontecimentos retratados deram origem ao que ficou conhecido na Itália como o Caso Stefano Cucchi, que ganhou grande repercussão pública e mobilizou debates sobre o funcionamento das instituições de custódia e do sistema judicial. Detido e encaminhado ao presídio Regina Coeli, Cucchi morreu poucos dias depois, em 22 de outubro de 2009, após apresentar múltiplas lesões e complicações físicas constatadas em exames periciais. O caso resultou em investigações prolongadas e processos judiciais que se estenderam por anos, envolvendo acusações de agressão, falsificação de documentos e omissão de informações, com condenações posteriores de alguns agentes públicos.
A realização do filme insere-se em um contexto mais amplo de atenção pública a mortes ocorridas sob custódia estatal e à demanda por maior transparência institucional. Embora não se trate de um documentário, a obra busca reconstruir, de forma narrativa e ficcional, os principais eventos relacionados ao caso, situando-os em um ambiente institucional e familiar, e apresentando a sequência de fatos que antecederam a morte de Stefano e suas repercussões legais posteriores.
O que eu achei: O filme conta a história de Stefano Cucchi, um cidadão italiano de 31 anos pego portando drogas para uso pessoal. Ele é preso mas, enquanto aguarda o julgamento, ele é espancado por policiais e acaba com duas vértebras quebradas além de diversos hematomas pelo corpo. Não é necessário ter muita criatividade para saber como esta história, baseada em caso verídico, termina. Ela causa nojo, indignação e pede uma profunda reflexão sobre o que se pode esperar quando se vive em um país com direitos humanos frouxos como o da Itália ou o nosso. Muito a se pensar, muito a se fazer.