Sinopse: Jonathan Zimmermann (Bruno Ganz) é um pacato moldurista alemão, que tem um áspero contato com um americano, Tom Ripley (Dennis Hopper), em um leilão. Jonathan desconfia que está sofrendo de uma moléstia incurável e recebe uma inacreditável proposta de um gângster: matar um bandido rival, recebendo em troca uma quantia que permitiria que sua família vivesse tranquila após sua morte. Dividido entre a angústia de estar com os dias contados e a hesitação em se tornar um assassino, Jonathan cada vez mais se envolve na trama. Porém o que ele não sabe é que quem está por trás dela é justamente Tom Ripley.
Comentário: Segundo Cássio Starling Carlos, crítico da Folha, "Realizado por Wim Wenders em 1977, o filme carimbou o passaporte do cineasta alemão para o território mítico da América, que desde o início assombrava sua obra. Adaptado com bastante liberdade de 'O Jogo de Ripley', um dos romances que Patricia Highsmith dedicou a esse anti-herói sem nenhum caráter, o filme de Wenders é ao mesmo tempo um thriller existencialista, uma reflexão sobre o status das imagens e um tributo de cinéfilo. Do romance de Highsmith, Wenders guardou a ossatura da trama e se apropriou para transformá-lo em exercício de autoria. O Ripley quase sempre sedutor e antipático em suas outras encarnações no cinema é aqui substituído por um Dennis Hopper em estado de graça, pronto para devolver ao personagem suas ambiguidades originais. Mas seu Ripley funciona também como passagem para outro território, o da cinefilia, ao qual Wenders pertence e presta tributo. (...) E é nesse filme que as indagações pessoais do diretor sobre a morte da imagem se concretizam sob a forma de puro cinema, sem falação e sem didatismo teórico. Com ele, Wenders demonstra ao espectador como era capaz de pensar o cinema ao mesmo tempo que o fazia.".
