Sinopse: Michael Stone é um palestrante motivacional que acaba de chegar à cidade de Connecticut. Ele segue do aeroporto direto para o hotel, onde entra em contato com um antigo amor para que possam se reencontrar. A iniciativa não dá certo, mas Michael logo se insinua para duas jovens que foram ao local justamente para ver a palestra que ele dará no dia seguinte. É quando ele conhece Lisa, por quem se apaixona.
Comentário: "Anomalisa" (2015) é uma animação baseada em uma peça de teatro homônima escrita pelo próprio Charlie Kaufman. Trata-se, portanto, de uma adaptação de um material anterior, mas expandida para o formato cinematográfico com recursos visuais e narrativos próprios.
O filme foi realizado em stop-motion, utilizando bonecos extremamente realistas e detalhados, com expressões faciais sutis que reforçam o tom intimista da história. A animação se destaca por assumir as marcas do processo - como as junções visíveis nos rostos dos personagens -, o que contribui para a atmosfera levemente estranha e artificial que o filme propõe.
A trama acompanha Michael Stone, um palestrante motivacional que viaja para Cincinnati para divulgar seu livro sobre atendimento ao cliente. Durante a estadia em um hotel, ele enfrenta uma profunda sensação de isolamento e desconexão emocional, até conhecer uma mulher que parece romper, ao menos momentaneamente, a monotonia de seu mundo. Um dos elementos mais marcantes do filme é a escolha de dar a mesma voz a quase todos os personagens, recurso que enfatiza a percepção subjetiva do protagonista.
“Anomalisa” foi amplamente aclamado pela crítica e recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival Internacional de Cinema de Veneza em 2015, além de uma indicação ao Oscar de Melhor Animação.
Apesar de ser uma animação, o filme é claramente voltado para o público adulto. Seus temas - solidão, identidade, relações afetivas e crise existencial -, somados ao ritmo introspectivo e a algumas cenas mais explícitas, o distanciam completamente de produções infantis. Ainda assim, é justamente essa abordagem madura que o torna um exemplo de como a animação pode explorar territórios pouco usuais no cinema.
O que eu achei: Financiado através de crowdfunding, o stop-motion "Anomalisa" (2015) é outro acerto de Charlie Kaufman, famoso diretor dos longas "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", "Adaptação" e "Quero Ser John Malkovich". Atenção às vozes dos personagens que são feitas por apenas 2 pessoas: uma voz feminina para Lisa, a musa do filme, e uma outra voz usada para todos os outros personagens, independente de serem homens ou mulheres. O resultado é muito bom. Há várias qualidades no filme: a forma criativa como traduz a subjetividade do protagonista, fazendo o espectador experimentar sua sensação de monotonia e isolamento; a delicadeza da animação em stop-motion, com expressões faciais sutis que carregam nuances emocionais raras nesse tipo de técnica; o roteiro intimista, que transforma uma situação banal - uma viagem de trabalho - em um mergulho profundo na solidão e na dificuldade de conexão humana; o uso inteligente do estranhamento, seja nas vozes, seja na própria aparência dos bonecos, que reforça o desconforto existencial do personagem e a coragem de tratar temas adultos com franqueza, sem recorrer a explicações fáceis ou a resoluções reconfortantes. Dirigido também por Duke Johnson, o filme mantém um equilíbrio delicado entre forma e conteúdo, em que cada escolha estética está a serviço da narrativa. Ainda que seu ritmo lento e sua abordagem minimalista possam afastar parte do público, “Anomalisa” se sustenta justamente por essa coerência interna. No fim, é uma obra que confirma o interesse de Kaufman por personagens deslocados e por histórias que desafiam convenções. Pode não ser um filme 'agradável' no sentido tradicional, mas é difícil negar a precisão com que constrói sua proposta e o impacto silencioso que deixa ao final.
O filme foi realizado em stop-motion, utilizando bonecos extremamente realistas e detalhados, com expressões faciais sutis que reforçam o tom intimista da história. A animação se destaca por assumir as marcas do processo - como as junções visíveis nos rostos dos personagens -, o que contribui para a atmosfera levemente estranha e artificial que o filme propõe.
A trama acompanha Michael Stone, um palestrante motivacional que viaja para Cincinnati para divulgar seu livro sobre atendimento ao cliente. Durante a estadia em um hotel, ele enfrenta uma profunda sensação de isolamento e desconexão emocional, até conhecer uma mulher que parece romper, ao menos momentaneamente, a monotonia de seu mundo. Um dos elementos mais marcantes do filme é a escolha de dar a mesma voz a quase todos os personagens, recurso que enfatiza a percepção subjetiva do protagonista.
“Anomalisa” foi amplamente aclamado pela crítica e recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival Internacional de Cinema de Veneza em 2015, além de uma indicação ao Oscar de Melhor Animação.
Apesar de ser uma animação, o filme é claramente voltado para o público adulto. Seus temas - solidão, identidade, relações afetivas e crise existencial -, somados ao ritmo introspectivo e a algumas cenas mais explícitas, o distanciam completamente de produções infantis. Ainda assim, é justamente essa abordagem madura que o torna um exemplo de como a animação pode explorar territórios pouco usuais no cinema.
O que eu achei: Financiado através de crowdfunding, o stop-motion "Anomalisa" (2015) é outro acerto de Charlie Kaufman, famoso diretor dos longas "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças", "Adaptação" e "Quero Ser John Malkovich". Atenção às vozes dos personagens que são feitas por apenas 2 pessoas: uma voz feminina para Lisa, a musa do filme, e uma outra voz usada para todos os outros personagens, independente de serem homens ou mulheres. O resultado é muito bom. Há várias qualidades no filme: a forma criativa como traduz a subjetividade do protagonista, fazendo o espectador experimentar sua sensação de monotonia e isolamento; a delicadeza da animação em stop-motion, com expressões faciais sutis que carregam nuances emocionais raras nesse tipo de técnica; o roteiro intimista, que transforma uma situação banal - uma viagem de trabalho - em um mergulho profundo na solidão e na dificuldade de conexão humana; o uso inteligente do estranhamento, seja nas vozes, seja na própria aparência dos bonecos, que reforça o desconforto existencial do personagem e a coragem de tratar temas adultos com franqueza, sem recorrer a explicações fáceis ou a resoluções reconfortantes. Dirigido também por Duke Johnson, o filme mantém um equilíbrio delicado entre forma e conteúdo, em que cada escolha estética está a serviço da narrativa. Ainda que seu ritmo lento e sua abordagem minimalista possam afastar parte do público, “Anomalisa” se sustenta justamente por essa coerência interna. No fim, é uma obra que confirma o interesse de Kaufman por personagens deslocados e por histórias que desafiam convenções. Pode não ser um filme 'agradável' no sentido tradicional, mas é difícil negar a precisão com que constrói sua proposta e o impacto silencioso que deixa ao final.
