Sinopse: Cidade do México, 1970. A rotina de uma família de classe média é controlada de maneira silenciosa por uma mulher (Yalitza Aparicio), que trabalha como babá e empregada doméstica. Durante um ano, diversos acontecimentos inesperados começam a afetar a vida de todos os moradores da casa, dando origem a uma série de mudanças, coletivas e pessoais.
Comentário: Alfonso Cuarón (1961) é um cineasta, roteirista, diretor de fotografia, editor e produtor mexicano. Assisti dele os bons "Filhos da Esperança" (2006) e "Gravidade" (2013). Desta vez vou conferir "Roma" (2018).
Trata-se de um filme dirigido, roteirizado, fotografado e coproduzido por Alfonso Cuarón, numa coprodução entre México e EUA.A obra tem caráter semiautobiográfico e é inspirada nas memórias de infância do diretor, especialmente na figura de Libo, a empregada doméstica que trabalhou para sua família durante os anos 1970.
A narrativa se passa na Cidade do México, entre 1970 e 1971, no bairro de Colonia Roma, e acompanha o cotidiano de Cleo, uma jovem empregada doméstica de origem indígena que trabalha para uma família de classe média. Paralelamente à rotina doméstica, o filme retrata transformações sociais e políticas do país, incluindo tensões estudantis e episódios históricos reais, como o Massacre de Corpus Christi, ocorrido em 1971.
O filme foi rodado majoritariamente em locações reais no México, incluindo a casa onde Cuarón viveu na infância, recriada com grande precisão. As filmagens ocorreram principalmente na Cidade do México e em regiões próximas, como o estado de Veracruz.
A narrativa se passa na Cidade do México, entre 1970 e 1971, no bairro de Colonia Roma, e acompanha o cotidiano de Cleo, uma jovem empregada doméstica de origem indígena que trabalha para uma família de classe média. Paralelamente à rotina doméstica, o filme retrata transformações sociais e políticas do país, incluindo tensões estudantis e episódios históricos reais, como o Massacre de Corpus Christi, ocorrido em 1971.
O filme foi rodado majoritariamente em locações reais no México, incluindo a casa onde Cuarón viveu na infância, recriada com grande precisão. As filmagens ocorreram principalmente na Cidade do México e em regiões próximas, como o estado de Veracruz.
Roma foi filmado em preto e branco, em formato digital de alta resolução, com som cuidadosamente elaborado para reforçar o realismo da ambientação.
A protagonista Cleo é interpretada por Yalitza Aparicio, em sua estreia como atriz, enquanto Marina de Tavira vive Sofía, a mãe da família. O elenco é composto majoritariamente por atores não profissionais, escolha que reforça o caráter naturalista da produção.
Roma foi produzido e distribuído pela Netflix, marcando um momento importante na presença de plataformas de streaming no circuito de festivais e premiações internacionais. O filme estreou no Festival de Veneza, onde venceu o Leão de Ouro, e posteriormente recebeu amplo reconhecimento, incluindo 10 indicações ao Oscar, vencendo nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Fotografia e Melhor Filme Estrangeiro.
A protagonista Cleo é interpretada por Yalitza Aparicio, em sua estreia como atriz, enquanto Marina de Tavira vive Sofía, a mãe da família. O elenco é composto majoritariamente por atores não profissionais, escolha que reforça o caráter naturalista da produção.
Roma foi produzido e distribuído pela Netflix, marcando um momento importante na presença de plataformas de streaming no circuito de festivais e premiações internacionais. O filme estreou no Festival de Veneza, onde venceu o Leão de Ouro, e posteriormente recebeu amplo reconhecimento, incluindo 10 indicações ao Oscar, vencendo nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Fotografia e Melhor Filme Estrangeiro.
O que eu achei: Trata-se de um filme de rara delicadeza, que aposta na observação paciente do cotidiano para construir um retrato profundo, íntimo e socialmente relevante. É uma obra calma, que narra os acontecimentos sem grandes alardes, sem discursos explícitos ou julgamentos diretos, confiando na força da imagem e do tempo para revelar suas camadas. Ambientado no México dos anos 1970, o filme acompanha a rotina de uma família de classe média e, sobretudo, de Cleo, a empregada doméstica que atravessa silenciosamente os dramas alheios enquanto enfrenta os seus próprios. Cuarón filma esses acontecimentos com um distanciamento preciso, permitindo que o espectador observe sem ser conduzido emocionalmente por trilhas excessivas ou conflitos artificialmente dramatizados. Essa escolha confere ao filme um tom quase contemplativo, onde a vida acontece com suas dores, afetos e rupturas. A fotografia em preto e branco é impecável e fundamental para a experiência. Longe de ser um recurso estético gratuito, ela reforça a dimensão memorialística do filme e sublinha a atenção aos detalhes: os espaços, os sons, os gestos mínimos. Cada enquadramento parece cuidadosamente pensado para registrar um mundo em transformação, tanto no plano íntimo quanto no social. O título pode causar estranhamento à primeira vista, já que não se refere à capital italiana, mas ao bairro Roma, na Cidade do México, onde a história se passa. Ainda assim, é difícil ignorar possíveis diálogos simbólicos com o cinema italiano, especialmente com o neorrealismo. A opção pelo preto e branco, o olhar voltado às classes trabalhadoras e a crítica social discreta remetem diretamente a obras como "Roma, Cidade Aberta" (1945) de Roberto Rossellini. Não se trata de uma citação literal, mas de uma herança estética e ética claramente assumida. Ao evitar o melodrama e privilegiar a observação, "Roma" transforma pequenas experiências em algo universal. É um filme que emociona sem manipular, que denuncia sem gritar e que revela sua força justamente na contenção. Uma obra profundamente sensível, construída com rigor formal e humanidade. Excelente.
