Sinopse: Um executivo (Toshiro Mifune) hipoteca tudo o que ele tem na tentativa de assumir a Companhia Nacional de Sapatos, mantendo a empresa fora das mãos dos outros executivos incompetentes e gananciosos. Contudo, o mesmo dinheiro que ele arrecada pode pagar o resgate que possivelmente irá salvar a vida do filho de seu motorista, levando o executivo a tomar decisões extremas e elaborar procedimentos policiais.
Comentário: Akira Kurosawa (1910-1998) foi um dos cineastas mais importantes do Japão e seus filmes influenciam até hoje uma grande geração de diretores. Com uma carreira de cinquenta anos, Kurosawa dirigiu em torno de 30 filmes. Assisti dele "Yojimbo: O Guarda-Costas" (1961), "Sonhos" (1990), "Madadayo" (1993) e a obra-prima "Ran" (1985). Desta vez vou conferir "Céu e Inferno" (1963).
Trata-se de uma adaptação do livro "King’s Ransom" escrito pelo americano Ed McBain, publicado em 1959.Paulo Campagnolo do site Maringá nos conta que na trama "o grande Toshiro Mifune é um rico executivo que deseja obter o controle de uma empresa de sapatos – com uma proposta de fabricar calçados de alta qualidade e resistentes, contrariando uma facção da empresa que deseja lucro imediato com sapatos mais baratos. Enquanto lida com a questão dentro da empresa, ele recebe a notícia de que seu filho foi sequestrado. Quando está pronto para pagar o resgate, seu filho aparece e a ligação é considerada uma brincadeira. Contudo, o filho do seu motorista está desaparecido. Os sequestradores, pois, o pegaram por engado. O dilema se estabelece [colocar o dinheiro na empresa ou salvar o filho do motorista?].
O mestre japonês tece um comentário fortíssimo sobre as condições do milagre econômico do seu país, além de um comentário social de pertinência prodigiosa – e que coloca em xeque os abismos sociais e as diferenças de classes. Assunto que, ao que tudo indica, jamais será superado, para o bem dos que detém o poder".
O que eu achei: O filme "Ran" me marcou tanto, que falou em Kurosawa eu já fico esperando um filme de samurais. Mas não é o caso aqui. O "Céu e Inferno" (1963) são duas condições opostas na sociedade: aquele que mora na melhor casa no topo da montanha e o favelado que mora lá em baixo e tentará elaborar um sequestro. São 143m de um filme em P&B que nos surpreende com um determinado cor de rosa na hora que algum colorido se faz imprescindível. Muito bom.
