Sinopse: Pink (Bob Geldof) é um superstar do rock, um homem que enlouquece lentamente em um quarto de hotel em Los Angeles envolto em suas fantasias delirantes. Queimado no mundo da música, ele só consegue se apresentar no palco com a ajuda de drogas. O filme acompanha o cantor desde sua juventude, mostrando como ele se escondeu do mundo exterior.
Comentário: Alan Parker (1944-2020) foi um cineasta britânico. Ele dirigiu filmes como "O Expresso da Meia-Noite" (1978), "Fama" (1980) e "Mississippi em Chamas" (1988). Assisti dele o ótimo "Coração Satânico" (1987). Desta vez vou conferir "Pink Floyd – The Wall" (1982), baseado no álbum "The Wall" do Pink Floyd.
Tanto o disco quanto o filme tratam de um personagem inspirado no próprio Roger Waters pois retrata sua própria infância, o falecimento precoce do pai durante a Segunda Guerra Mundial, a opressão que sentia na escola, a relação conflituosa com a mãe, as turbulências amorosas e as já mencionadas barreiras entre ele e os seus ouvintes. E, de quebra, passa uma mensagem política sobre os estados fascistas que Waters e a banda sempre repudiaram.
O filme é estrelado por Bob Geldof - vocalista da banda The Boomtown Rats - como o astro do rock Pink, que, levado à neurose pelas pressões do estrelato e eventos traumáticos em sua vida, constrói um muro emocional e mental para se proteger; no entanto, esse mecanismo de enfrentamento eventualmente tem efeitos colaterais para Pink, que exige ser libertado.O filme apresenta técnicas de animação com live-action para retratar as alucinações e os sonhos de Pink. Assim como no disco, o filme é altamente metafórico e frequentemente usa símbolos visuais e auditivos ao longo de sua duração. Apresenta poucos diálogos, em vez disso é guiado pela música do álbum. As músicas usadas no filme apresentam diversas diferenças em relação às versões do disco, com uma delas, "When the Tigers Broke Free", não constando no disco original.
Apesar de sua produção turbulenta, o filme recebeu críticas muito positivas, ganhando um status de clássico cult estabelecido principalmente entre os fãs do Pink Floyd.
O que disse a crítica 1: Roger Ebert descreveu "The Wall" como "uma visão impressionante de autodestruição" e "um dos musicais mais horríveis de todos os tempos... embora o filme seja eficaz. A música é forte e verdadeira, as imagens são como marretas, e por uma vez, o herói do rock and roll não é apenas um narcisista mimado, mas uma imagem real e sofrida de todo o desespero desta era nuclear. Este é um filme muito bom". Em 2010, Ebert adicionou "The Wall" à sua lista intitulada The Great Movies, descrevendo o filme como "sem dúvida o melhor de todos os filmes de ficção sérios dedicados ao rock. Vendo-o agora em tempos mais tímidos, parece mais ousado do que em 1982, quando o vi em Cannes. É inquietante, deprimente e muito bom".
O que eu achei: Fã que sou do grupo musical Pink Floyd, eu não poderia deixar de ver este filme. O longa é um verdadeiro mergulho audiovisual que transcende a simples adaptação de um disco para as telas. Sob a direção de Alan Parker, o filme transforma a célebre criação musical do Pink Floyd em uma experiência sensorial arrebatadora, na qual som e imagem se fundem de maneira indissociável, criando algo tão poderoso quanto perturbador. A narrativa acompanha a espiral de isolamento e loucura de Pink, um astro do rock atormentado por traumas de infância, opressão escolar, ausência paterna e pela própria alienação trazida pela fama. O roteiro dispensa diálogos convencionais e se apoia quase inteiramente nas músicas do álbum homônimo e na impressionante linguagem visual, tornando cada cena uma espécie de videoclipe expandido, mas com uma coesão narrativa e simbólica rara no cinema. A direção de Alan Parker é impecável. Ele constrói uma estética sombria, às vezes surreal, que vai do realismo cru a sequências oníricas e alucinantes. As animações de Gerald Scarfe, grotescas e satíricas, ampliam a sensação de pesadelo e dão ao filme uma dimensão alegórica sobre guerra, autoritarismo e desumanização. Visualmente impactante e emocionalmente intenso, o longa não se limita a ilustrar as músicas do Pink Floyd, mas cria uma obra independente, carregada de simbolismos e de força política e existencial. A performance de Bob Geldof como Pink é visceral, transmitindo com perfeição a angústia e a apatia do personagem diante de um mundo hostil e impessoal. Ao final, "Pink Floyd – The Wall" se impõe como um clássico absoluto do cinema musical e experimental. É um filme ousado e desconfortável, que dialoga com a condição humana de forma profunda e perturbadora. Veja, especialmente se for fã do grupo.
