30.12.14

"O Grande Hotel Budapeste" - Wes Anderson (Reino Unido/Alemanha, 2013)

Sinopse: No período entre as duas guerras mundiais, o famoso gerente de um hotel europeu (Ralph Fiennes) contrata um jovem empregado (Toni Revolori) e os dois tornam-se melhores amigos. Entre as aventuras vividas pelos dois, constam o roubo de um famoso quadro do Renascimento, a batalha pela grande fortuna de uma família e as transformações históricas durante a primeira metade do século XX.
Comentário: Trata-se de um filme inspirado nos livros do autor austrí­aco Stefan Zweig. O filme começa com um prólogo, prossegue dividido em cinco partes e termina com um epílogo. No prólogo o que vemos é a atualidade: uma jovem garota aproxima-se de um monumento instalado em um cemitério em homenagem a um autor. Ela carrega um livro escrito por alguém identificado como "O Autor" e começa a ler um capítulo onde o tal autor (Tom Wilkinson) narra uma história a partir de sua escrivaninha em 1985, sobre uma viagem que ele fez ao Grande Hotel Budapeste em 1968, localizado na República da Zubrowka, um estado fictício no centro da Europa dizimado pela guerra e pela pobreza. O tal autor, ainda jovem (Jude Law), se hospeda no estabelecimento que passa por dificuldades. Muitos de seus majestosos aposentos encontram-se caindo aos pedaços e os hóspedes são poucos. O Autor encontra o velho dono do hotel, Zero Moustafa (F. Murray Abraham) que lhe conta como passou a ser o dono e porque ele não pensa em fechá-lo. As partes 1, 2, 3, 4 e 5 vão então contar tudo o que aconteceu: começando com a contratação de Zero Mustafa bem jovem (Toni Revolori) como mensageiro do hotel pelo concierge M. Gustave (Ralph Fiennes) e terminando quando Zero Mustafa já é o dono. Lucas Salgado do site Adoro Cinema achou ótimo. Escreveu "Uma das mais equivocadas críticas que se pode fazer do cinema de Wes Anderson é dizer que é só estética e com pouca história. Isso pode ter acontecido aqui e acolá (...), mas obras como 'Três É Demais', 'Os Excêntricos Tenenbaums', 'O Fantástico Sr. Raposo' e 'Moonrise Kingdom' mostram que este não é o caso e que o diretor tem muito a dizer. Felizmente, 'O Grande Hotel Budapeste' entra neste último grupo". Guilherme Augusto do site Cinema com Rapadura também gostou. Ele disse: "'O Grande Hotel Budapeste' é mais uma bela história contada pelo excêntrico Wes Anderson que, com um talento primoroso, usa um dos melhores meios para se contar uma história: o cinema. E em uma época que o cinema é dominado por grandes produções que investem em aparência e deixam o conteúdo de lado, sempre é um alívio presenciar a sétima arte sendo tratada com amor". Vale saber que o escritor Stefan Zweig passou os últimos dias de sua vida em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, com a mulher, Lotte. Um museu aberto na Cidade Imperial, 73 anos depois da morte deles, registrada entre 22 e 23 de fevereiro, conta a história do escritor, considerado um dos maiores do mundo. O site G1, numa coluna dedicada à região serrana, conta que "o museu (...) [possui] um acervo que atrai visitantes de todas as partes, principalmente pela curiosidade envolvendo o mistério da morte do casal. Foi em Petrópolis que Zweig e Lotte encontraram a paz que precisavam ao se refugiar da Segunda Guerra Mundial, mas também foi na cidade que eles resolveram dar um fim a própria vida, tomando uma overdose de medicamentos. No museu, está exposta a carta de despedida deixada por eles, datada no dia 22 de fevereiro de 1942, cinco meses depois da assinatura do contrato de aluguel da casa. O historiador, Joaquil Eloy, conta que o autor escolheu Petrópolis pelo clima semelhante ao de sua terra natal, mas a paz durou pouco. 'Quando ele recebeu a informação de que havia navios brasileiros na costa sendo bombardeados pelos alemães e quando, imediatamente, o presidente Getúlio Vargas fez a declaração de guerra à Alemanha, Stefan Zweig pensou, certamente: ‘a guerra chegou até aqui e eu não tenho mais para onde ir’. Então, ele preferiu esse caminho, da morte', explica o historiador". Eu particularmente achei o filme uma verdadeira obra-prima. Se ainda havia alguma dúvida sobre a originalidade e sobre a genialidade desse diretor, "O Grande Hotel Budapeste" encerra esse assunto. O cara é demais. É diretor para seguir ad aeternum.