8.12.13

"Violeta foi para o Céu” - Andrés Wood (Argentina/Brasil/Chile, 2011)

Sinopse: Um mergulho na vida de Violeta Parra (Francisca Gavilán), o maior nome da música chilena. A cinebiografia conta a história de mais um artista incompreendido, que quis a todo custo espalhar e ensinar sua arte. Uma mulher que teve tudo o que quis, de amantes mais jovens ao reconhecimento de mineiros e políticos chilenos, passando pela burguesia cultural francesa, tudo foi alcançado por uma mulher insatisfeita por natureza e voluntariosa ao extremo.
Comentário: Andrés Wood (1965) é um cineasta, produtor e escritor chileno. Dentre seus trabalhos estão "Histórias de Futebol" (1997) e "Machuca" (2004). Ele possui sua própria produtora, a Wood Producciones.
João Peres da RBA publicou: "Primeira artista latino-americana a expor no Museu do Louvre, em Paris, responsável pelo resgate da cultura chilena e com composições gravadas no mundo todo, Violeta Parra é tema do filme (...).
Mas a vida real não foi tão generosa com a artista chilena, de triste passagem individual pelo mundo, embora repleta de realizações para a posteridade. 
'Violeta foi para o Céu', de Andrés Wood (...), conta sem falsificações a história da mais conhecida cantora chilena. Tal como o cérebro atormentado da personagem principal, o longa-metragem não tem linha reta. Da infância complicada, com pai alcoólatra e de destino errante, Violeta passa à fase adulta como artista itinerante, cantando de povoado em povoado e viajando em boleia de caminhão. Das caminhadas pelo interior do Chile sob sol escaldante, vai à Paris da década de 1960 embalar romances conturbados e uma vida artística guiada pela miséria. 
No fim, tem-se uma imagem de uma personalidade única, merecedora de respeito, de sofrimento compreensível". 
O que eu achei: Trata-se de uma cinebiografia que busca retratar a vida e a obra de Violeta Parra, uma das figuras mais importantes da música e da cultura popular chilena. O filme adota uma estrutura não linear, alternando momentos distintos da trajetória da artista, desde suas origens humildes até o reconhecimento internacional, compondo um retrato fragmentado, mas expressivo. A narrativa evita seguir um caminho tradicional e linear, optando por destacar episódios marcantes que ajudam a compreender a personalidade intensa e muitas vezes contraditória de Violeta. Essa escolha contribui para um retrato mais humano do que idealizado, mostrando não apenas a artista engajada e talentosa, mas também suas fragilidades, inquietações e conflitos pessoais. A atuação de Francisca Gavilán é um dos pontos centrais do filme. Além de interpretar Violeta, ela própria canta as músicas, o que reforça a autenticidade da performance e aproxima o espectador da dimensão artística da personagem. A trilha sonora, aliás, desempenha papel fundamental, funcionando como fio condutor da narrativa. Sem buscar grandes soluções estilísticas ou um aprofundamento completo em todas as fases da vida da cantora, o filme cumpre bem sua proposta de apresentar aspectos essenciais de sua trajetória. O resultado é um bom filme, que funciona especialmente como porta de entrada para quem deseja conhecer um pouco mais sobre Violeta Parra, sua obra e sua importância cultural.