Sinopse: Nader (Peyman Moaadi) e Simin (Leila Hatami) divergem sobre a possibilidade de deixar o Irã. Simin quer deixar o país para dar melhores oportunidades a sua filha, Termeh (Sarina Farhadi). Nader, no entanto, quer continuar no Irã para cuidar de seu pai, que sofre de Alzheimer. Chegam à conclusão de que devem se separar, mesmo ainda estando apaixonados. Sem uma esposa para cuidar da casa, Nader contrata uma empregada (Sareh Bayat). A empregada, que está grávida, aceita o trabalho sem avisar o seu marido (Shahab Hosseini).
Comentário: Asghar Farhadi é um cineasta iraniano. "A Separação" (2011) é o primeiro filme que vejo dele.
Roberto Guerra do Cineclick, nos diz: "Não acontece com frequência, mas, de tempos em tempos, o espectador de cinema se depara com filmes que despertam admiração instantânea, aquele tipo de obra que chama a atenção pela condução primorosa e força de seu enredo e personagens. 'A Separação', escrito e dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi, é um desses trabalhos a nivelar por cima. Honesto, transita com habilidade por temas comuns a todos nós como responsabilidade, respeito, honestidade e amor sem, no entanto, se valer de artificialismos. Pelo contrário, impressiona com sua desconcertante simplicidade. (...) Quem sai ganhando é o espectador, que pode desfrutar desde já de um nos melhores filmes do ano".
Ganhou o Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro, o César de Melhor Filme Estrangeiro em 2012, foi vencedor do Globo de Ouro 2012 de Melhor Filme Estrangeiro e foi vencedor do Urso de Ouro de Melhor Filme e Urso de Prata para o Elenco Masculino e Elenco Feminino no Festival de Berlim.
O que eu achei: Asghar Farhadi constrói em "A Separação" (2011) um drama de uma precisão impressionante, onde cada gesto e cada palavra carregam peso moral e emocional. A trama, que começa com o divórcio de um casal da classe média iraniana, desdobra-se em um emaranhado de conflitos éticos, sociais e religiosos, expondo as contradições e fragilidades de uma sociedade que tenta conciliar tradição e modernidade. Farhadi filma com naturalismo e sem maniqueísmos, deixando o espectador preso entre versões de verdade igualmente plausíveis, o que dá ao filme uma densidade raramente vista no cinema contemporâneo. O mérito de "A Separação" está também na sua capacidade de transformar um drama doméstico em algo universal. As tensões entre marido e mulher, pais e filhos, patrões e empregados refletem dilemas humanos que ultrapassam fronteiras culturais. O elenco é notável, especialmente Leila Hatami e Peyman Moaadi, entregando interpretações contidas, mas carregadas de complexidade emocional. Farhadi não oferece respostas fáceis, preferindo manter o espectador em constante questionamento, e é justamente essa ambiguidade que faz o filme crescer. Visualmente contido e narrativamente rigoroso, "A Separação" combina realismo social e refinamento dramático com uma sutileza rara. É um retrato doloroso e honesto de pessoas comuns tentando fazer o que acreditam ser certo, ainda que cada escolha revele novas camadas de culpa e contradição. Um filme que confirma o talento de Farhadi como um dos grandes observadores da condição humana. Atenção para a filha do diretor, a atriz Sarina Farhadi, que faz o papel de Termeh. Excelente.
