Sinopse: Concebido para ser exibido no intervalo de um bailado, o curta-metragem é um bom exemplo da experimentação modernista no cinema. Contando com a colaboração de artistas ligados ao dadaísmo e ao surrealismo, são visíveis neste filme as influências destes movimentos. Abandonando qualquer lógica narrativa, o filme utiliza as mais variadas técnicas (desde o slow motion a sobreposições e ângulos insólitos) para criar uma sucessão de episódios e associações surreais e alucinantes, explorando as potencialidades expressivas específicas do cinema.
Comentário: Segundo o site Cronópios, "talvez não interesse tanto ao grande público, mas, para os cinéfilos da vida, a oportunidade é rara. (...) 'Entr’acte' (1924) constitui um marco da arte revolucionária da época e é uma eterna referência na história das artes visuais do século XX. Parisiense de nascimento e intelectual refinado, Clair foi ligado às vanguardas artísticas dos anos vinte e sua obra, pelo menos a muda, reflete toda a irrequieta efervescência de então, da qual 'Entr’acte' é uma espécie de emblema. Tudo começou quando o artista performático Francis Picabia e o músico vanguardista Erik Satie resolveram montar um balé que tivesse um entremeio cinematográfico e convidaram Clair para participar do projeto. Ousado, mal comportado e esteticamente chocante, o balé 'Relâche' possuía esse interlúdio em que era projetado o 'Entr’acte' de Clair, cuja exibição era acompanhada, naturalmente, pela trilha já minimalista de Satie, composta exclusivamente para ele. O resultado todo, digo, balé mais filme, era, segundo consta, algo meio indefinido e confuso, com cheiro misto de impressionismo, dadaísmo e surrealismo, e recebeu do público presente vaias e aplausos. Do balé só restaram fotos, mas o filme está aí, para ser visto e discutido como um precioso documento de uma fase artística em que o experimento era tudo".
