Sinopse: Matt King (George Clooney) é um marido indiferente e pai de duas meninas, que é forçado a reexaminar seu passado e abraçar seu futuro depois que sua esposa (Patricia Hastie) sofre um acidente de barco em Waikiki e entra em coma. O trágico acontecimento revela segredos e acaba por aproximar Matt das filhas Scottie (Amara Miller) e Alexandra (Shailene Woodley), o que o ajuda na difícil decisão de vender um terreno herdado da família.
Comentário: Alexander Payne (1961) é um cineasta e roteirista americano de ascendência grega. “Os Descendentes” (2011) é o primeiro filme que vejo dele.
Roberto Guerra do Cineclick nos conta que "'Os Descendentes' é um belo exemplo de como fazer bom cinema usando o cotidiano das pessoas como matéria-prima. Honesto e realista, consegue fazer rir e chorar sem recair nos lugares-comuns típicos dos filmes do gênero drama familiar.
São 117 minutos de um trabalho eficiente versando sobre a condição humana e a capacidade nossa de encontrar humor e alento diante das mais atrozes adversidades. Um filme sobre resistência, sobre o ímpeto de ir adiante apesar dos inevitáveis (e muitas vezes inexoráveis) revezes da vida".
Para ele, "Payne sintetiza a diversidade e complexidade do ser humano em seu trabalho, sem dúvida o mais maduro dos seus filmes em clareza narrativa. Um longa inspirador que mostra que não basta ter uma boa história em mãos, é preciso saber transformá-la em experiência de cinema. E Alexander Payne, indiscutivelmente, soube".
O que eu achei: Trata-se de um drama contido que confirma a habilidade do cineasta em observar personagens em crise sem recorrer a excessos melodramáticos. Ambientado no Havaí - cenário que foge do cartão-postal turístico -, o filme usa a paisagem como contraponto à desintegração íntima de uma família que se vê obrigada a confrontar perdas, ressentimentos e decisões adiadas. George Clooney interpreta Matt King, um homem comum colocado diante de duas frentes de colapso: a esposa em coma irreversível e a responsabilidade de decidir o destino de uma vasta herança de terras. A atuação é deliberadamente econômica, apoiada mais em silêncios e olhares do que em grandes explosões emocionais, o que confere verossimilhança ao personagem, embora por vezes torne o ritmo excessivamente morno. Payne constrói o filme a partir de pequenos gestos e diálogos aparentemente banais, apostando numa mistura de drama e humor discreto que é sua marca registrada. Essa escolha funciona bem ao humanizar os personagens, mas também dilui conflitos que poderiam ser mais incisivos. As relações familiares, especialmente entre pai e filhas, são tratadas com sensibilidade, ainda que algumas resoluções soem previsíveis dentro do modelo de cinema independente americano da época. Visualmente, o Havaí surge menos como paraíso e mais como território ambíguo, marcado por tensões históricas e interesses econômicos, tema que o filme toca de forma lateral, sem se aprofundar. Essa dimensão social, embora interessante, acaba servindo mais como pano de fundo do que como eixo dramático consistente. “Os Descendentes” (2011) é um filme correto, bem interpretado e honesto em suas intenções, mas que não alcança maior impacto justamente por sua excessiva contenção. Um bom drama, que se sustenta pela qualidade do elenco e pela direção segura de Payne.
