Sinopse: Joe (Clint Eastwood) é um pistoleiro barra pesada que chega a uma cidade que está em guerra. Quando percebem o potencial de Joe, ambas as partes se interessam por contratá-lo, é quando ele percebe que pode ganhar dinheiro com a situação aceitando a proposta dos dois lados.
Comentário: Sergio Leone (1929-1989) foi um cineasta italiano autor de famosos filmes que renovaram o gênero western. "Por um Punhado de Dólares" (1964) é o primeiro filme que vejo dele.
Comentário: Sergio Leone (1929-1989) foi um cineasta italiano autor de famosos filmes que renovaram o gênero western. "Por um Punhado de Dólares" (1964) é o primeiro filme que vejo dele.
Segundo Rodrigo Carreiro do Cine Reporter, "Clint Eastwood já estava com 33 anos em 1963, e Hollywood ainda era um sonho distante. Entre tentativas de virar cantor country e bicos como construtor de piscinas em Los Angeles (EUA), ele embarcou na carreira de ator de TV e foi descoberto por um cineasta ainda mais desconhecido, que lhe enviou uma proposta. O diretor italiano Sergio Leone oferecia o papel de protagonista num faroeste local. Clint aceitou por farra, pois teria a oportunidade de conhecer a Itália e a Espanha, em cujos desertos o longa-metragem seria rodado. Quis o destino, entretanto, que o tal filme o pusesse no mapa. (...)
A inspiração para 'Por Um Punhado de Dólares' veio de um filme japonês. Em 'Yojimbo', lançado três anos antes, Akira Kurosawa apresentava a saga de um samurai sem nome que se via no meio de uma disputa entre dois grupos de criminosos. Sergio Leone simplesmente transportou a ação para o Velho Oeste.
O que eu achei: "Por um Punhado de Dólares" (1964) marca o nascimento do faroeste-spaghetti como força estética própria e já traz, em estado quase bruto, a assinatura de Sergio Leone: a dilatação do tempo, os silêncios carregados de tensão, os enquadramentos extremos e a violência tratada como espetáculo coreografado. Inspirado livremente em "Yojimbo" de Kurosawa, o filme desloca a lógica do western clássico para um universo mais sujo, cínico e ambíguo, no qual não há heróis no sentido tradicional, apenas sobreviventes mais ou menos astutos. Clint Eastwood, ainda longe do mito que se tornaria, constrói um protagonista minimalista, de poucas palavras e olhar calculista, cuja frieza combina perfeitamente com a encenação econômica de Leone. O personagem não age por valores morais elevados, mas por conveniência, inteligência estratégica e um certo prazer em manipular forças rivais. Essa ambiguidade moral, longe de empobrecer o filme, o torna mais moderno e provocador, antecipando uma visão de mundo menos ingênua e mais desencantada. Visualmente, o filme impressiona pela forma como transforma locações áridas em espaços quase abstratos, dominados por poeira, rostos marcados e arquitetura degradada. Leone já demonstra um talento raro para organizar o espaço dramático dentro do quadro, criando expectativa com pequenos gestos, olhares e pausas. A trilha de Ennio Morricone, ainda mais contida do que em trabalhos posteriores, já funciona como elemento narrativo essencial, ajudando a imprimir identidade e tensão às cenas. Mesmo com limitações de orçamento e certa irregularidade no ritmo, "Por um Punhado de Dólares" se impõe como um filme inventivo, energético e historicamente decisivo. Mais do que apenas um exercício de estilo, ele inaugura uma nova maneira de olhar para o western, abrindo caminho para obras mais ambiciosas do próprio Leone. Gostei bastante.
