Sinopse: Mary é uma garotinha de 8 anos que não possui amigos e é vítima de bulling na escola. Max é um homem obeso de 44 anos que sofre de Síndrome de Asperger e também não possui amigos. Esses dois personagens bastante distintos passam a se corresponder por cartas e formar uma amizade.
Comentário: Trata-se de uma animação feita com massinha, filmada em stop-motion.
Ana Martineli do Cineclick publicou: "Se você gosta de animação provavelmente já viu ou pelo menos ouviu falar em Adam Elliot. Em 2004, o roteirista, animador e diretor ganhou o Oscar de Melhor Curta de animação por 'Harvie Krumpet'. Exibida no Anima Mundi do mesmo ano, a história do solitário e desajustado imigrante polonês foi agraciada com o prêmio de Melhor Filme escolhido pelo público brasileiro.
Antes do Oscar, o australiano realizou a trilogia 'Uncle' (1996), 'Cousin' (1998) e 'Brother' (1999) - respectivamente 'Tio', 'Primo' e 'Irmão' – enquanto estudava na Victorian College of the Arts em Melbourne.
Não é necessário conhecer os curtas para se encantar com 'Mary e Max – Uma Amizade Diferente', o primeiro longa-metragem do diretor.
Mas se você tiver curiosidade, assista e entenderá que, para chegar neste filme Elliot percorreu um caminho de descoberta e investigação do humano através do que ele mesmo define como clayography, neologismo entre clay - como é chamado entre os animadores o material do qual os bonecos de massinha são feitos - e biografia".
O que eu achei: Em "Mary e Max - Uma Amizade Diferente" (2009), Adam Elliot entrega uma animação rara: profundamente melancólica, delicada e, ao mesmo tempo, surpreendentemente bem-humorada. Longe dos padrões mais comerciais, o filme aposta em uma narrativa intimista para contar a improvável amizade entre uma menina australiana e um homem solitário que vive em Nova York. Construído em stop-motion, com uma estética propositalmente “imperfeita”, o filme transforma sua simplicidade visual em força expressiva. Os tons acinzentados de Nova York contrastam com a paleta mais terrosa da Austrália, refletindo os estados emocionais dos personagens e ajudando a compor um universo visual coerente com o tom da história. O grande trunfo está no roteiro, que se desenvolve por meio de cartas trocadas entre Mary e Max ao longo de anos. A partir dessa estrutura, o filme aborda temas densos como solidão, transtornos psicológicos, inadequação social e busca por afeto, tudo isso com uma sensibilidade rara. Há um equilíbrio impressionante entre tristeza e humor, com momentos genuinamente tocantes que nunca descambam para o sentimentalismo fácil. Max, com suas dificuldades de interação e visão peculiar do mundo, é um dos personagens mais marcantes da animação contemporânea. Mary, por sua vez, representa a curiosidade e a carência afetiva de forma igualmente honesta. Juntos, constroem uma relação que atravessa o tempo e a distância, baseada na aceitação mútua. "Mary e Max" é uma obra excelente justamente por sua coragem em tratar temas adultos sem abrir mão da ternura. É um filme que emociona de maneira profunda, provocando reflexão. Uma prova de que a animação pode alcançar níveis de complexidade e sensibilidade comparáveis aos grandes dramas do cinema. Excelente.
