Sinopse: Dois estranhos se encontram num trem e logo um deles propõe ao outro um plano aparentemente sem riscos. Bruno Anthony (Robert Walker) eliminaria a mulher de Guy Raines (Farley Granger), enquanto este mataria o pai daquele. Tudo simples, limpo e sem deixar rastros, já que ninguém sabe que os dois se conhecem. Só que um não leva a ideia a sério, ao passo que o outro logo executa sua parte no acordo.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele os seguintes filmes:
- as obras-primas: "Os Pássaros" (1936), "Festim Diabólico" (1948), "Janela Indiscreta" (1954), "Um Corpo Que Cai" (1958) e "Psicose" (1960);
- os ótimos: "O Inquilino" (1927), "Chantagem e Confissão" (1929), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943), "Interlúdio" (1946), "Disque M para Matar" (1954), "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e "Frenesi" (1972);
- os bons: "Os 39 Degraus" (1935), "O Agente Secreto" (1936), "A Estalagem Maldita" (1939), "Correspondente Estrangeiro" (1940), "Pavor nos Bastidores" (1950) e "O Terceiro Tiro" (1955).
Desta vez vou conferir "Pacto Sinistro" (1951).
Segundo Marcelo Leme do site Salada Cultural, "imagine alguém que você tenha conhecido a pouco, essa pessoa num tom de brincadeira lhe propõe um acordo e você por não levar a sério devido a gravidade da proposta entra no jogo ironicamente, porém, o outro está disposto a concretizar tal feito por mais absurdo que seja e você simplesmente não sabe". O roteiro é da dupla Patricia Highsmith e Whitfield Cook.
O que eu achei: Mais um longa que vai pra lista dos excelentes da filmografia de Hitchcock. "Pacto Sinistro" (1951) tem uma premissa engenhosa, a ideia do “cruzamento de crimes”, em que dois estranhos trocam assassinatos para evitar suspeitas, uma ideia brilhante e imediatamente intrigante. Bruno Anthony, interpretado por Robert Walker, é um dos antagonistas mais fascinantes de Hitchcock: educado, persuasivo e ao mesmo tempo sinistro. O filme alterna tensão, humor e momentos de pura atmosfera hitchcockiana sem perder o equilíbrio narrativo. A direção, pra variar, é magistral, Hitchcock constrói sequências icônicas, como a do assassinato refletido nos óculos ou o clímax no carrossel desgovernado. Há também o uso criativo de cenários, desde a claustrofobia do trem até a amplitude do parque de diversões. Fala sobre moral, levantando questões sobre culpa, cumplicidade e destino sem nunca ser moralista. A música de Dimitri Tiomkin intensifica o suspense sem exageros, acompanhando bem a ação e o clima psicológico. Até os personagens secundários são bem construídos, com figuras como a família do protagonista e a irmã da noiva, que acrescentam humor e leveza em meio à tensão. Os enquadramentos de sombras, escadarias e reflexos criam uma atmosfera visual rica e inconfundível. E o final eletrizante com a famosa sequência no carrossel é uma das mais tensas e memoráveis de toda a filmografia de Hitchcock. Sem dúvida, é filme pra ver e rever. Excelente.
