Sinopse: Jack Lucas (Jeff Bridges) é um ex-astro da rádio de Manhattan que vive bêbado, deprimido e com um forte sentimento de culpa depois que um ouvinte, seguindo literalmente os seus conselhos, matou várias pessoas em um bar. Após uma noite na rua ele acaba fazendo amizade com Parry (Robin Williams), um ex-professor de história medieval que se transformou num mendigo vivendo num mundo imaginário de cavaleiros vermelhos e criaturas pequeninas e que agora está a procura do Santo Graal. O radialista irá ajudá-lo enquanto ele se ajuda a si próprio.
Comentário: O site da Locadora 2001 diz "esse filme dividiu a opinião da crítica norte-americana. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, por exemplo, afirma que "'O Pescador de Ilusões' é um desorganizado, errôneo e excêntrico filme que contém alguns momentos de verdade, alguns de humor e muitos momentos de digressão". Por outro lado, segundo Sam, do At-a-Glance Film Reviews, "'O Pescador de Ilusões' não é um filme perfeito, mas Terry Gilliam deve agradar aquelas pessoas que estão cansadas de filmes sem objetivo e clichês, mas sem ser erudito ou chato o suficiente para sustentar o estereótipo de filme de arte". No Brasil a crítica avaliou o filme de forma muito positiva. Segundo Rubens Ewald Filho, por exemplo, "é Robin Williams, num papel excêntrico e bem adequado para seu estilo, que domina a fita. Tem momentos notáveis (a dança na estação de trem) e é bastante envolvente e fora do comum". Para finalizar, a equipe do guia Nova Cultural afirma que "o visual é exuberante, embora soturno e revelador do universo miserável de New York. Estranho caminho do cinismo à redenção, valorizado pela excelência dos diálogos e dos intérpretes".
O que eu achei: Terry Gilliam é um diretor conhecido por sua imaginação visual exuberante e por criar universos que transitam entre o grotesco e o poético. Em "O Pescador de Ilusões", ele aplica esse estilo a uma trama que mistura drama, romance e fantasia, explorando temas como culpa, redenção e a força da imaginação. No entanto, apesar de alguns momentos inspirados, o resultado final é irregular, deixando a sensação de uma obra mediana, aquém do potencial do diretor. A história acompanha Jack Lucas (Jeff Bridges), um locutor de rádio arrogante cuja carreira desmorona após provocar indiretamente uma tragédia. Anos depois, ele encontra Parry (Robin Williams), um homem em situação de rua traumatizado pela violência que sofreu no passado. O encontro entre os dois gera uma relação marcada pela busca de cura e pelo contraste entre o cinismo de Jack e o delírio lírico de Parry. Embora a premissa seja promissora, Gilliam parece oscilar entre o realismo urbano e o delírio visual, sem conseguir unificar plenamente os registros. Algumas cenas beiram o encantamento - como a famosa sequência do salão de baile na Grand Central Station - mas outras soam excessivamente teatrais ou sentimentais, tornando o ritmo irregular. A direção, que costuma brilhar pelo excesso criativo, aqui parece se perder entre o desejo de emocionar e a tentação de fantasiar. As atuações sustentam boa parte do filme. Robin Williams entrega uma performance intensa, oscilando entre a comédia e a dor, capaz de comover em vários momentos. Jeff Bridges, por sua vez, cria um contrapeso sólido, mais contido, que ajuda a dar alguma ancoragem ao enredo. Ainda assim, nem mesmo o talento dos dois atores consegue superar os problemas de tom e a sensação de que a narrativa se arrasta em certos pontos. "O Pescador de Ilusões" tenta ser um conto moderno sobre redenção e a necessidade de se reconectar com o outro, mas não alcança a consistência necessária para causar impacto duradouro. É um filme que tem brilho em cenas pontuais, mas carece de coesão e equilíbrio. Ao final, a sensação é de que a obra fica no meio do caminho: nem tão envolvente quanto poderia ser, nem tão inventiva quanto se espera de Terry Gilliam. Uma experiência curiosa, com alguns momentos memoráveis, mas que deixa a impressão de oportunidade desperdiçada.
