23.1.11

"A Era do Gelo 2: O Colapso" - Carlos Saldanha (EUA, 2006)

Sinopse: Manfred, Sid e Diego estão morando num lugar maravilhoso, cheio de minas de água, poços de piche e gêiseres. Mas eles terão de se mudar, tendo que avisar a todos os outros animais que estão correndo risco de tudo aquilo inundar com o descongelamento de enormes blocos de gelo.
Comentário: Trata-se da continuação de "A Era do Gelo" (2002). 
Segundo Marco Aurélio Canônico da Folha de São Paulo, "no que tange à história, 'A Era do Gelo 2' é um filme bem menos complexo. Seu antecessor era pontuado por uma sucessão de conflitos internos dos personagens - a perda da família de Manny, a traição de Diego, a busca por respeito de Sid - que resultavam em alguns momentos dramáticos e emocionantes. 
A continuação é, ainda mais que o primeiro, um filme-pipoca, ancorado quase que exclusivamente no humor - o que não é demérito, aliás. 
Na nova animação, Sid (com ótima dublagem de John Leguizamo na versão original e de Tadeu Mello em português) continua polarizando as piadas da trinca de amigos, mas divide os momentos hilários com os novos personagens, como os irmãos gambás e o tatu trapaceiro Tony Ligeiro (dublado no original pelo apresentador de TV Jay Leno). 
E, se 'A Era do Gelo 2' é mais engraçado que o anterior, boa parte do crédito é devido à participação maior de Scrat, a neurótica fusão de esquilo e rato que continua a perseguir sua desejada noz". 
O que eu achei: Em "A Era do Gelo 2: O Colapso" (2006), o brasileiro Carlos Saldanha assume sozinho a direção e mostra segurança ao expandir o universo criado no primeiro filme. Se antes a ameaça era o frio absoluto, agora o perigo vem do degelo, uma inversão que amplia a escala da aventura e permite sequências visualmente mais ambiciosas. A trama coloca Manny, Sid e Diego diante da possibilidade de uma inundação catastrófica, obrigando o grupo a atravessar paisagens em transformação. O roteiro mantém a essência da franquia, amizade improvável, humor físico e emoção acessível, mas aposta em um ritmo ainda mais acelerado e em situações de maior espetáculo. As cenas de ação são mais elaboradas, e a animação em CGI evolui perceptivelmente em fluidez e detalhamento. Saldanha demonstra domínio do timing cômico, especialmente nas participações de Scrat, que continua funcionando como motor paralelo de humor. Suas sequências são inventivas e quase independentes, servindo como respiros cômicos entre momentos de tensão. Ao mesmo tempo, o filme desenvolve melhor o arco emocional de Manny, explorando seus medos e a possibilidade de não estar sozinho no mundo. Embora a continuação siga uma estrutura mais convencional e amplie o número de personagens e conflitos, ela preserva o carisma do trio central. O equilíbrio entre aventura, comédia e afeto continua sendo o ponto forte da série. Com mais escala, mais ação e um humor que permanece eficaz, o longa confirma a força da franquia. Sob a direção solo de Carlos Saldanha, o filme se sustenta como uma sequência envolvente e divertida, que amplia o universo sem perder o espírito leve e caloroso que conquistou o público no primeiro capítulo. Vale ver.