5.11.10

"Pavor nos Bastidores" - Alfred Hitchcock (EUA, 1950)

Sinopse: Jonathan Cooper (Richard Todd) é acusado pelo assassinato do marido de sua amante, a atriz Charlotte Inwood (Marlene Dietrich). Afirmando ser Charlotte a verdadeira culpada, ele consegue se esconder com a ajuda da amiga Eve Gill (Jane Wyman), que, intrigada com o caso, decide investigar o crime.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele os ótimos "O Inquilino" (1927), "Chantagem e Confissão" (1929), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943) e "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e os bons "Os 39 Degraus" (1935), "O Agente Secreto" (1936), "A Estalagem Maldita" (1939) e "Correspondente Estrangeiro" (1940). Desta vez vou conferir "Pavor nos Bastidores" (1950).
No mundo de Alfred Hitchcock, os teatros são bem mais perigosos do que aparentam, os personagens nunca são o que parecem ser e a última cortina pode cair a qualquer momento. Filmado na Inglaterra, Hitchcock faz uma feliz combinação de humor e policial e escala um elenco de primeira: Alastair Sim, Sybil Thorndike, Joyce Grenfell, Kay Walsh e sua filha, Patricia Hitchcock.
O que eu achei: "Pavor nos Bastidores" (1950) não atinge o mesmo impacto de obras-primas de Hitchcock mas ainda assim configura um bom filme. Nota-se um uso inteligente dos ambientes londrinos, especialmente aos ligados ao teatro local, criando uma estética, para variar, elegante e cativante. A ótima Marlene Dietrich traz uma presença magnética à trama e Jane Wyman constrói uma protagonista convincente, com boa dose de humanidade e humor. Algumas sequências, como a festa beneficente e a cena final, mostram a habilidade de Hitchcock em compor enquadramentos expressivos. Além disso temos uma trilha sonora marcante com a música sendo utilizada de forma eficaz. O enredo joga com a ideia de aparência versus realidade, o que se encaixa bem no ambiente teatral. Em termos de problemas, o que mais me incomodou no longa foi o uso de um flashback enganoso logo no início, algo que para mim soou como uma espécie de trapaça narrativa. Além disso, o ritmo em alguns trechos é menos tenso do que em outros thrillers do diretor, e a história carece da intensidade psicológica e do senso de perigo crescente que marcam seus filmes mais célebres. Ainda assim é um filme superior à muitos que vemos por aí.