6.11.10

"Disque M para Matar" - Alfred Hitchcock (EUA, 1954)

Sinopse: O ex-tenista, Tony Wendice (Ray Milland), descobre que sua esposa Margot (Grace Kelly) está sendo infiel. Com a chegada do amante dela, Mark Halliday (Robert Cummings), Tony elabora um plano de se livrar da moça. Ele chantageia Charles Alexander (Anthony Dawson) um antigo amigo para que este a mate e ele possa ficar com sua herança.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele os ótimos "O Inquilino" (1927), "Chantagem e Confissão" (1929), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943) e "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e os bons "Os 39 Degraus" (1935), "O Agente Secreto" (1936), "A Estalagem Maldita" (1939), "Correspondente Estrangeiro" (1940) e "Pavor nos Bastidores" (1950). Desta vez vou conferir "Disque M para Matar" (1954).
Segundo Rubens Ewald Filho para o UOL Entretenimento, "Alfred Hitchcock tinha um certo desprezo por 'Disque M para Matar', baseado na bem-sucedida peça de Frederick Knott e rodado originalmente em 3D, processo fotográfico na moda na época. Mas há poucos momentos no filme pensados para explorar a técnica tridimensional, e, quando o filme ficou pronto, o sistema já tinha caído em desuso e ele foi exibido em quase toda parte da forma tradicional. Certamente foi a possibilidade de trabalhar com essa inovação técnica e com sua musa, Grace Kelly, que atraiu Hitchcock para o projeto. Isso explica por que a câmera é sempre baixa e há lâmpadas e objetos em primeiro plano, para dar o efeito de dimensão. 
De fato, esse não é um filme típico dele, essencialmente um suspense tradicional sobre uma investigação policial e que parece até banal se comparado às obras-primas do diretor. Mas ele era mesmo um gênio, e aqui há muitos momentos brilhantes, como a tentativa de assassinato com as cortinas e a tesoura, o suspense em torno do relógio parado e a troca das chaves. (...) O filme foi refeito depois para a TV em 1967 e 1981 e para o cinema, de forma muito modificada, em 'Um Crime Perfeito' (A Perfect Murder, 1998), de Andrew Davis, com Michael Douglas e Gwyneth Paltrow".
O que eu achei: Que filme incrível é "Disque M para Matar" (1954) do mestre Hitchcock. O suspense, pra variar, é extremamente bem construído, com a trama de assassinato e chantagem sendo conduzida com precisão, mantendo a tensão de forma constante. A narrativa é quase teatral - até porque foi baseada em uma peça de teatro - com grande parte da ação se passando em um único ambiente. Hitchcock, esperto que era, transformou essa limitação em vantagem, criando uma atmosfera claustrofóbica e elegante. Os personagens são todos moralmente complexos: o marido manipulador, a esposa ameaçada e o investigador astuto dão à história camadas de ambiguidade e interesse psicológico. A direção hábil utiliza enquadramentos, ângulos e movimentos de câmera dando dinamismo a uma história que tinha tudo para ser estática. Ray Milland brilha como o marido calculista e a linda Grace Kelly traz sofisticação e intensidade emocional ao papel da esposa. Os diálogos afiados e bem construídos ajudam a aumentar o suspense revelando informações cruciais de maneira inteligente. Curioso que, mesmo sendo mais conhecido pela versão em 2D, o filme foi rodado em 3D e mostra como Hitchcock estava aberto a experimentar novas tecnologias sem perder sua elegância narrativa. Ao final, somos coroados com um clímax engenhoso, um desfecho que amarra as pistas de maneira lógica e satisfatória, mostrando a assinatura característica do diretor para reviravoltas bem planejadas. Imperdível.