1.10.10

"O Segredo de Brokeback Mountain" - Ang Lee (Canadá/Estados Unidos, 2005)

Sinopse: Um conto de amor sobre o relacionamento de dois jovens: Ennis Del Mar (Heath Ledger), um rancheiro do Wyoming e Jack Twist (Jake Gyllenhall), um vaqueiro de rodeio, que se conhecem no verão de 1963 trabalhando como vigias de ovelhas na montanha Brokeback. A história se passa nos anos 60, no interior dos EUA, onde a intolerância pela homossexualidade é grande. Com isso, após deixarem o emprego, eles tentam tocar suas vidas, casando e tendo filhos, entretanto o amor que nutrem um pelo outro pode mudar o rumo de tudo.
Comentário: Ang Lee é um cineasta, produtor e roteirista taiwanês radicado nos Estados Unidos. Assisti dele o mediano "Hulk" (2003). Desta vez vou conferir "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005).
O filme é do ano 2005 mas teve problemas de exibição em diversos locais. 
Na República das Bahamas foi proibido em decisão feita pelo Escritório de Controle do país, que justificou o ato por que o filme contém "cenas extremas de homossexualidade, pessoas nuas, vulgaridades que não podem trazer nenhum valor positivo ao público das Bahamas". Imediatamente surgiram protestos de grupos homossexuais no país caribenho. 
Na República Popular da China o filme não teve sua exibição garantida pelo governo. As razões dadas foram que o público seria pequeno o que não justificaria o lançamento comercial, mas, de acordo com a mídia internacional, o governo não permitiu o lançamento do filme porque ainda é hostil quanto à homossexualidade. 
Apesar disso, a mídia local elogiou o diretor do filme, Ang Lee (nascido na Ilha de Taiwan, atual República Democrática da China), que se tornou o primeiro diretor de cinema chinês a receber um Oscar. Cópias piratas de DVD foram distribuídas no país. Foi exibido na Taiwan nativa de Lee e estreou em Hong Kong em fevereiro de 2006. 
Nos EUA, o filme foi o estopim de uma grande polêmica midiática quando foi banido, um dia antes de sua estreia, da rede de cinemas de Larry H. Miller, integrante da igreja mórmon. Ainda nos EUA, a família de uma garotinha de 12 anos chamada Jessica Turner, processou a Secretaria de Educação de Chicago em mais de quatrocentos mil dólares por causa da exibição do filme à classe de Turner por uma professora substituta. 
No Oriente Médio, o filme transformou-se em questão política. A homossexualidade ainda é crime na maior parte das nações daquela região, ou ao menos tabu nas poucas onde não é ilegal. Foi oficialmente banido pelo governo dos Emirados Árabes Unidos. No Líbano, um dos únicos países desta região onde o trabalho de Lee pôde ser exibido, algumas cenas foram censuradas. Na Turquia, o filme foi exibido, mas foi proibido para menores de dezoito anos de idade pelo governo. Em Israel, onde existem leis que protegem os homossexuais contra a discriminação verbal, foi apresentada a versão completa original.
O longa ganhou o Oscar de Melhor Diretor, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora.
O que eu achei: "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005) é um daqueles filmes que surpreendem pela dimensão emocional e pela delicadeza com que trata um tema complexo. Depois de ter visto o mediano "Hulk" (2003), do mesmo diretor, era difícil imaginar que Ang Lee pudesse lançar um filme como esse. E, no entanto, aqui ele entrega um trabalho sensacional. Baseado no conto de Annie Proulx, o filme acompanha ao longo de décadas a relação entre dois cowboys, Ennis (Heath Ledger) e Jack (Jake Gyllenhaal), marcada por encontros esporádicos, repressão e impossibilidades. Ambientado em paisagens amplas e silenciosas, o longa constrói um contraste poderoso entre a liberdade da natureza e o aprisionamento emocional dos personagens. Ang Lee conduz a narrativa com extrema sensibilidade, evitando excessos e deixando que os silêncios e os olhares carreguem boa parte do peso dramático. A história se desenvolve de forma contida, mas profundamente impactante, explorando o custo de viver uma vida limitada pelas convenções sociais. As atuações são fundamentais para esse resultado. Heath Ledger entrega uma performance impressionante, contida e dolorosa, enquanto Jake Gyllenhaal complementa com um personagem mais expansivo, mas igualmente trágico. Juntos, criam uma dinâmica que sustenta toda a força do filme. O resultado é um drama poderoso, sensível e devastador, que transcende qualquer rótulo e se afirma como uma obra marcante do cinema contemporâneo. Excelente.