Sinopse: Um serial killer inicia uma série de assassinatos em Londres, tendo como elemento comum o fato de sua vítimas serem todas mulheres loiras. Um novo hóspede, Jonathan Drew (Ivor Novello), chega ao hotel do casal Bounting (Marie Ault e Arthur Chesney) e aluga um quarto. O homem tem estranhos hábitos, como o de sair em noites com névoa. Ele também guarda a foto de uma moça loira em seu quarto o que acaba levantando suspeitas.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele os ótimos "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943) e "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e os bons "Os 39 Degraus" (1935) e "O Agente Secreto" (1936). Desta vez vou conferir "O Inquilino" (1927), que em português pode ser encontrado como "O Pensionista" ou "O Locatário".
Trata-se do quinto filme de Hitchcock. Numa cena, um figurante faltou e o próprio Hitchcock assumiu seu lugar. Ele gostou tanto que fez isso em todos os seus outros filmes. O título original é "The Lodger: A Story of the London Fog".
O que eu achei: “O Inquilino”, também conhecido como “O Pensionista”, de 1927, é um dos primeiros grandes trabalhos de Alfred Hitchcock e já revela muitas das qualidades que viriam a definir sua carreira. A história acompanha um misterioso hóspede que desperta desconfiança por chegar à cidade durante uma série de assassinatos cometidos por um criminoso chamado 'O Vingador'. Com uma atmosfera carregada de tensão, o filme mostra como Hitchcock soube, desde cedo, trabalhar o suspense com inteligência e ritmo. Visualmente, a produção impressiona, especialmente considerando a época. O uso criativo de sombras, enquadramentos e sobreposições dá ao filme um caráter expressionista e ajuda a construir a sensação de paranoia que permeia a trama. Ivor Novello, no papel do inquilino, traz uma ambiguidade fascinante ao personagem, fazendo o público oscilar entre a empatia e a suspeita a cada nova cena, o que mantém a história viva e cheia de nuances. Além disso, Hitchcock demonstra aqui seu domínio precoce da linguagem cinematográfica, usando recursos inovadores para intensificar a tensão sem depender de diálogos, algo essencial no cinema mudo. Pode-se dizer que "O Inquilino" é uma das obras mais marcantes da fase inicial do diretor. Imperdível.
