7.10.10

"Correspondente Estrangeiro" - Alfred Hitchcock (EUA, 1940)

Sinopse: John Jones (Joel McCrea) é um repórter criminal de um jornal de Nova York. No início da Segunda Guerra Mundial, ele recebe a missão de trazer as últimas notícias sobre a guerra na Europa. Um importante tratado está prestes a ser assinado entre duas potências européias, entretanto como as coisas não acontecem como planejado, Jones acaba pedindo a ajuda de Carol Fisher (Laraine Day), uma jovem mulher por quem ele acaba se apaixonando.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele os ótimos "O Inquilino" (1927), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943) e "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e os bons "Os 39 Degraus" (1935), "O Agente Secreto" (1936) e "A Estalagem Maldita" (1939). Desta vez vou conferir "Correspondente Estrangeiro" (1940).
Segundo filme da fase americana de Hitchcock. O filme direciona o enredo nos moldes da narrativa clássica hollywoodiana: um roteiro linear com algumas pitadas de humor e suspense, incluindo, até mesmo, cenas de ação. Os protagonistas politicamente corretos encontram-se, aos poucos, envolvidos numa complicada trama de espionagem internacional.
O que eu achei: Está aí mais um bom filme do mestre Hitchcock. As sequências de suspense - mestre que o diretor é neste assunto - são muito bem construídas: observe especialmente o assassinato na chuva, a perseguição no moinho de vento e a queda do avião no mar. O ritmo já famoso do diretor está lá, com aquela narrativa dinâmica de sempre, combinando espionagem, ação e humor. O uso de cenários europeus recriados em estúdio e a forma como Hitchcock conduz a câmera contribuem para a atmosfera de mistério e perigo e são um colírio para os olhos. No elenco, temos as interpretações sólidas de Joel McCrea que traz carisma ao protagonista, e George Sanders que se destaca com um personagem espirituoso. Produzido pouco antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, o filme tem um claro viés antinazista e defende valores democráticos. O filme só não é excepcional, porque a trama, embora eficiente, é um pouco episódica e às vezes carece de maior profundidade dramática. Além disso, alguns personagens têm desenvolvimento limitado, funcionando mais como peças da engrenagem narrativa do que como figuras complexas. Mas ainda assim configura um bom filme que vale ser visto.