16.9.10

"Sin City - A Cidade do Pecado" - Robert Rodriguez e Quentin Tarantino (EUA, 2005)

Sinopse: Um policial chamado Hartigan (Bruce Willis) é um cara honesto que está prestes a se aposentar quando resolve pegar um maluco pedófilo que tem uma menina de onze anos em seu poder. Hartigan salva a menina, porém como o pedófilo é filho de um influente político da cidade, a história acaba se virando contra o policial, que termina preso, acusado de pedofilia. Hartigan pega oito anos de prisão e a garota (Jessica Alba), agora com dezenove anos, trabalha como dançarina em um bar.
Comentário: Para transpor ao cinema as graphic novels de Frank Miller, o diretor Robert Rodriguez rompeu com o sindicato dos diretores e financiou, do seu próprio bolso, esta que foi sua mais arriscada empreitada. Visualmente é incontestável a qualidade do filme, rodado em digital de alta definição, sempre em tela verde, os cenários foram depois inseridos em 3D, mas ao contrário de outros filmes que utilizam a técnica, o efeito passa imperceptível na maior parte do tempo, ajudado pela fotografia em preto e branco de forte contraste. Cada cena tenta reproduzir com fidelidade a arte de Miller - desde a composição dos elementos ao pouco uso de movimentos de câmera - exatamente como se fossem quadrinhos. Há um uso de cor em detalhes (sangue, olhares...) plasticamente bem resolvido. Na sua obsessão por se tornar absolutamente fiel à fonte, Rodriguez exagera na narração em off - nem tudo que serve para a literatura serve para o cinema. Em "Sin City" há longas sequências apenas com diálogos internos dos personagens e mesmo quando essas narrações poderiam ser traduzidas em imagens, os personagens continuam falando, descrevendo às vezes o que estamos vendo com nossos olhos. Pode-se dizer que por ter se inspirado em romances policiais noir baratos a narração seja aceitável, só que o que funciona bem em uma história se torna cansativo em três. Um detalhe que vai causar desconforto em muitos espectadores é o caráter um tanto niilista do universo de Frank Miller já que todas as histórias são protagonizadas por anti-heróis que salvam suas mulheres das garras de maníacos, pedófilos e canibais, mas eles são tão imorais e psicóticos quanto os vilões e não há muita preocupação com verossimilhança ou mensagens. Os diálogos e ações são exagerados, mas esse tom é estabelecido logo no começo e não fica a sensação de que o espectador foi subestimado, só depende de você entrar no clima.