Sinopse: Documentação visual acerca das perseguições sofridas pelas feiticeiras numa Europa atravessada pela intolerância religiosa. O filme é narrado na primeira pessoa, como se o diretor desejasse demonstrar uma tese que, de fato, é assim enunciada: "A crença nos maus espíritos, feitiçaria e bruxaria é o resultado de ingênuas noções sobre o mistério do universo".
Comentário: O dinamarquês Benjamin Christensen (1879-1959) iniciou a sua carreira artística, primeiro como cantor de ópera, depois, como ator de teatro e, finalmente, como realizador de cinema. Considerado um cineasta pioneiro e visionário, pela introdução de um conjunto de ideias visuais inovadoras e uma singular utilização da luz, Christensen é reconhecido internacionalmente sobretudo pelo seu terceiro longa-metragem, "Häxan" (1922), uma jornada pelo universo da bruxaria, narrada em estilo semi-documental. "Häxan" é um ensaio sobre o fenômeno histórico, social, religioso e psicológico da bruxaria e da feitiçaria, desde a Pérsia antiga até o início do século XX. É uma mistura de documentário científico e crônica ficcionada que utiliza diversas abordagens cinematográficas, como, por exemplo, imagens imóveis e recriações dramáticas. A narrativa está estruturada em sete blocos narrativos, precedidos por um prólogo didático narrado por Christensen, que percorre várias tradições e sistemas de crenças sobre o demônio, a Terra, o Sistema Solar, a bruxaria e a sua iconografia. Existem duas versões: a original em sueco de 1922 e uma versão americana de 1968 narrada por William S. Burroughs.
