Sinopse: Jill (Claudia Cardinale) é uma ex-prostituta de New Orleans que largou a vida na cidade grande para casar com Brent McBain (Frank Wolff), um sonhador dono de uma propriedade no meio do nada, viúvo e pai de três lindas crianças. Quando Jill chega à fazenda Água Doce, encontra uma chacina realizada pela posse das terras da família que, em breve, abrigará parte do trajeto de uma importante ferrovia. Toda a família de Brent está morta. Em seu caminho surge O Gaita (Charles Bronson), exímio pistoleiro que tem contas a acertar com Frank (Henry Fonda). Há ainda o vilão com pinta de herói Cheyenne (Jason Robards), que apesar de assassino, age com os mocinhos para provar sua inocência no caso.
Comentário: Sergio Leone (1929-1989) foi um cineasta italiano autor de famosos filmes que renovaram o gênero western. Assisti dele ´ótimo "Por um Punhado de Dólares" (1964). Desta vez vou conferir "Era Uma Vez no Oeste" (1968).
Comentário: Sergio Leone (1929-1989) foi um cineasta italiano autor de famosos filmes que renovaram o gênero western. Assisti dele ´ótimo "Por um Punhado de Dólares" (1964). Desta vez vou conferir "Era Uma Vez no Oeste" (1968).
Segundo Rodrigo Cunha do Cineplayers, "logo após finalizar sua Trilogia dos Dólares, formada por 'Por um Punhado de Dólares', 'Por uns Dólares a Mais' e 'Três Homens em Conflito', Sergio Leone resgatara todo o respeito e a certeza de que os faroestes poderiam ser bons filmes, não apenas entretenimento barato. Agora almejava novos horizontes.
Em sua mente já se desenhava um dos maiores clássicos policiais de todos os tempos, mas a Paramount só bancaria seu sonhado 'Era Uma Vez na América' caso ele fizesse apenas mais um faroeste. (...)
Ele se juntou então com Sergio Donati, Bernardo Bertolucci e Dario Argento para escrever a história e o roteiro desse seu novo trabalho. Assim nasceu a obra-prima 'Era uma vez no Oeste'. (...) Um filme muito mais plástico que os outros de Leone, um drama ambientado no Velho-Oeste. (...) Uma obra de arte poética e sensível, completa como faroeste, perfeita como um filme. Acabou sendo o primeiro de uma nova trilogia imperdível, seguido por 'Quando Explode a Vingança' e a outra obra-prima 'Era uma Vez na América'".
O que eu achei: "Era Uma Vez no Oeste" (1968) é, talvez, a expressão mais madura e ambiciosa do faroeste de Sergio Leone. Um filme que transforma o gênero em elegia, despedida e reinvenção ao mesmo tempo. Aqui, o diretor abandona o impulso mais lúdico e irônico de seus westerns anteriores para construir uma obra solene, marcada por um ritmo contemplativo e por uma sensação constante de fim de época. O nascimento da ferrovia, o avanço do capital e a extinção gradual do pistoleiro romântico moldam um universo em transição, no qual a violência já não é apenas espetáculo, mas também sintoma histórico. Leone leva ao extremo sua mise-en-scène baseada na dilatação do tempo e na composição rigorosa do quadro. A sequência inicial na estação, quase sem diálogos, é um manifesto estético: o som do vento, da água pingando e dos insetos substitui a palavra, criando uma tensão quase física. Os closes intensos, os planos abertos monumentais e a coreografia precisa dos movimentos transformam cada encontro em um ritual, como se o filme estivesse sempre à beira do duelo definitivo. A trilha de Ennio Morricone, concebida antes mesmo das filmagens, atua como verdadeira espinha dorsal emocional da narrativa, conferindo aos personagens uma dimensão mítica. O elenco reforça essa sensação de grande espetáculo trágico. Henry Fonda, em um raro papel de vilão, subverte sua imagem clássica e imprime ao personagem uma frieza perturbadora. Charles Bronson sustenta o mistério e a economia gestual do herói silencioso, enquanto Claudia Cardinale oferece densidade humana e sensível à história, funcionando como elo entre passado e futuro. Mais do que uma simples história de vingança, o filme propõe uma meditação sobre o tempo, a memória e o desaparecimento de um modo de vida. Mesmo com sua duração extensa e andamento deliberadamente lento, "Era Uma Vez no Oeste" recompensa pela força visual, pela precisão formal e pela potência emocional de seu desfecho. É um cinema que exige entrega do espectador, mas devolve em grandeza, beleza e impacto. Um daqueles títulos indispensáveis para quem quer conhecer a boa história do cinema.
