2.11.14

"O Lobo de Wall Street" - Martin Scorsese (EUA, 2013)

Sinopse: Durante seis meses, Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) trabalhou duro em uma corretora de Wall Street, seguindo os ensinamentos de seu mentor Mark Hanna (Matthew McConaughey). Quando finalmente consegue ser contratado como corretor da firma, acontece o Black Monday, que faz com que as bolsas de vários países caiam repentinamente. Sem emprego mas ainda bastante ambicioso, ele acaba trabalhando para uma empresa de fundo de quintal que lida com papéis de baixo valor, que não estão na bolsa de valores. É lá que Belfort tem a ideia de montar uma empresa focada neste tipo de negócio, cujas vendas são de valores mais baixos mas, em compensação, o retorno para o corretor é bem mais vantajoso.
Comentário: Martin Scorsese (1942) é um diretor de cinema norte-americano. Assisti dele a obra prima "Os Bons Companheiros" (1990), os ótimos "Os Infiltrados" (2006) e "Ilha do Medo" (2009) e os bons "Alice Não Mora Mais Aqui" (1974), "O Aviador" (2004) e "A Invenção de Hugo Cabret" (2011), além do documentário "Rolling Stones - Shine a Light" (2007). Desta vez vou conferir "O Lobo de Wall Street" (2013).
Segundo Thiago Siqueira do Cinema com Rapadura, Adaptado do livro autobiográfico de Jordan Belfort, "trata-se de um personagem de Scorsese à moda antiga, um homem que criou sua própria alcateia e se posicionou habilmente como o macho alfa desta, o grande e cruel lobo mau de Wall Street, capaz de engolir qualquer tubarão e que faz troça de suas presas. É a forma com a qual pureza de sua devassidão foi explorada pelo longa que o torna tão irresistível".
O que eu achei: “O Lobo de Wall Street” (2013) mergulha de cabeça no universo excessivo e moralmente duvidoso do mercado financeiro, entregando um filme vibrante, provocador e, por vezes, desconcertante. Baseado na história real de Jordan Belfort, o longa acompanha a ascensão meteórica de um corretor que enriquece rapidamente através de práticas fraudulentas, sustentando um estilo de vida marcado por luxo, drogas e excessos. No centro da narrativa está Leonardo DiCaprio, em uma atuação elétrizante e carismática. Ele conduz o filme com energia quase inesgotável, tornando Belfort ao mesmo tempo fascinante e repulsivo, uma combinação essencial para que a história funcione. Ao seu redor, o elenco acompanha o tom exagerado da proposta, criando um ambiente onde tudo parece elevado ao máximo. Scorsese opta por uma abordagem que não economiza em excessos formais, refletindo o próprio comportamento do protagonista. A montagem ágil, a narração em primeira pessoa e as situações absurdas criam um ritmo frenético, que prende a atenção, mas que também pode soar repetitivo em alguns momentos, especialmente pela longa duração. Há uma ambiguidade interessante no filme: ao mesmo tempo em que expõe a corrupção e a falta de ética do sistema, ele também se deleita na ostentação e no estilo de vida que critica. Essa dualidade pode gerar desconforto, mas também faz parte da proposta de mostrar o quanto esse universo pode ser sedutor. “O Lobo de Wall Street” é, no fim, um bom filme: envolvente, bem interpretado e tecnicamente impecável, ainda que um pouco indulgente com seus próprios excessos. Scorsese constrói um retrato impactante de ganância e impunidade, baseado em uma figura real, cuja história parece tão absurda que por vezes soa quase inacreditável.