Sinopse: Woody Grant (Bruce Dern) é um homem idoso que acredita ter ganho US$ 1 milhão após receber pelo correio uma propaganda. Decidido a retirar o prêmio, ele resolve ir a pé até a distante cidade de Lincoln, em Nebraska. seu filho David (Will Forte), percebendo que a teimosia do pai o fará viajar de qualquer jeito, resolve levá-lo de carro. Só que no caminho Woody sofre um acidente e bate com a cabeça, precisando descansar. David decide mudar um pouco os planos, passando o fim de semana na casa de um de seus tios (Stacy Keach) antes de partir para Lincoln. Só que Woody conta a todos sobre a possibilidade de se tornar um milionário, despertando a cobiça não só da família como também de parte dos habitantes da cidade.
Comentário: Alexander Payne (1961) é um cineasta e roteirista americano de ascendência grega. Assisti dele o bom “Os Descendentes” (2011). Desta vez vou conferir "Nebraska" (2013).
Segundo Luísa Pécora do site IG - Último Segundo - Cinema, "o diretor Alexander Payne combina elementos de dois de seus filmes anteriores: faz um 'road movie' como 'Sideways - Entre Umas e Outras' (2004) e retrata a reaproximação de uma família como fez em 'Os Descendentes' (2011).
A combinação resultou no melhor trabalho de Payne, que desta vez filma um roteiro de Bob Nelson.
Indicado a seis Oscar, o longa evoca o ótimo 'História Real', de David Lynch, ao acompanhar um idoso que viaja pelo interior dos Estados Unidos determinado a alcançar um improvável objetivo".
O que eu achei: Trata-se de um filme de aparente simplicidade que revela, pouco a pouco, uma profunda sensibilidade humana. Rodado em preto e branco, o longa transforma paisagens banais do meio-oeste americano em espaços carregados de memória, frustração e afeto contido, refletindo com precisão o estado emocional de seus personagens. Bruce Dern entrega aqui uma de suas atuações mais marcantes ao interpretar Woody Grant, um idoso teimoso, alcoólatra e silencioso, convencido de que ganhou um prêmio milionário. Longe de caricaturas fáceis, Payne constrói um personagem que oscila entre a obstinação e a fragilidade, despertando tanto irritação quanto compaixão. Dern dá corpo a um homem esmagado pelo tempo, pela rotina e por uma vida de promessas não cumpridas. A relação entre Woody e seu filho David, vivido com discrição por Will Forte, é o verdadeiro eixo do filme. A jornada de carro até Nebraska funciona menos como um road movie tradicional e mais como um percurso emocional, no qual silêncios dizem mais do que palavras. Payne demonstra maturidade ao confiar na pausa, no olhar e no constrangimento como motores dramáticos, evitando sentimentalismos fáceis. O humor seco, quase cruel, é outro grande acerto. Personagens secundários como familiares, vizinhos e conhecidos são retratados com ironia afiada, expondo mesquinharias, ressentimentos e pequenas violências cotidianas, sem jamais perder o senso de humanidade. O filme observa a América profunda sem idealizá-la, mas também sem desprezá-la. “Nebraska” é um retrato delicado sobre envelhecimento, dignidade e laços familiares imperfeitos. Sua força está na contenção, na empatia e na recusa a oferecer soluções reconfortantes. Um trabalho mega inspirado de Alexander Payne.
