29.12.13

"As Férias do Sr. Hulot" - Jacques Tati (França, 1953)

Sinopse: O desastrado Mr. Hulot (Jacques Tati) passa férias num hotel próximo a um balneário francês, provocando a habitual onda de catástrofes encarada com estranheza e simpatia pelos outros hóspedes, burgueses em busca de descanso.
Comentário: Segundo Luiz Carlos Oliveira Jr. do site Contracampo, "se o meio do cinema é a realidade física como tal, torna-se desafiador filmá-la sem pré-estilização mas de modo a obter um resultado com estilo. Por mais que mobilize um variado repertório de elementos pró-fílmicos (figurino, iluminação, maquiagem), Jacques Tati filma o espaço exatamente como este se apresenta previamente. E seus filmes, no entanto, estão impregnados de uma marca pessoal inconfundível, que abarca desde a caracterização do inesquecível Sr. Hulot, eternamente desajeitado e bem-intencionado, até as incontáveis piadas sonoras e os recorrentes comentários cômicos sobre a múltipla relação estética/funcionalidade do modo de vida moderno - incluindo sua arquitetura, seu ritmo, seu design, sua hierarquia de valores (nada raros sãos os personagens de Tati que se perdem em longas exposições sobre seus objetos de consumo ou de interesse). (...) Mas, independentemente de toda capacidade de "As Férias do Sr. Hulot" enriquecer a linguagem cinematográfica, é muito difícil não apreciar o filme mesmo que ignorando suas contribuições formais. (...) Seria preciso também não achar graça, não se entreter com as ótimas gags do filme, além de não perceber a magnitude do personagem criado por Tati: incômodo para alguns, amigo de poucos, secretamente admirado (o marido tímido que nele projeta a fantasia de fuga a seu casamento mofado), integrado à criançada enquanto o hotel melancolicamente se esvazia - o fato é que Hulot em nenhuma hipótese passa despercebido. Não gostar de 'As Férias do Sr. Hulot', ao que tudo indica, é uma tarefa das mais difíceis."