Sinopse: Los Angeles, 1937. O detetive particular J. J. Gites (Jack Nicholson) recebe mais um caso de suspeita de adultério, desta vez envolvendo o engenheiro-chefe de águas da cidade, Hollis Mulwray (Darrell Zwerling). Porém, em pouco tempo, o pacato engenheiro é encontrado morto por afogamento. O curso das investigações se desvia, desembocando nas irregularidades da construção de represas e na distribuição de água, que favoreciam terras de proprietários fantasmas. Paralelamente, a enigmática Evelyn Mulwray (Faye Dunaway), viúva do assassinado, esconde um mistério familiar que pode ter ligações com o crime em que está implicado Noah Cross (John Huston), seu pai, o todo-poderoso local.
Comentário: Trata-se do filme número 44 da lista dos 100 Essenciais elaborada pela Revista Bravo! em 2007. A matéria diz: "O detetive J. J. Gites (Jack Nicholson) é colocado no centro de uma trama gigantesca envolvendo boa parte dos homens poderosos de Los Angeles nos anos 1930. Na trama, seu bom humor e sua malandragem contrastam com a maldade assumida dos demais personagens, bem ao estilo do pessimismo moral que caracteriza o universo cinematográfico do polonês Roman Polanski. Conforme a história é esclarecida, percebe-se que o crime investigado é apenas mais um de tantos desvios de conduta de todos os envolvidos e que nenhum dos suspeitos parece realmente inocente. Como seus antecessores na tradição do cinema noir, o detetive é um solitário que esbarra num mundo podre e normalmente sem solução. Quando perguntado se ele está sozinho, responde com uma pergunta: 'Esta não é a situação de todos?' Não só sobrevive no centro da podridão, como faz dela seu meio de sobrevivência. Gittes, no geral é um homem justo e pacato, mas acaba adquirindo traços do mundo hostil em que vive. Como em outros filmes do gênero, a solidão do detetive torna-se um ponto de vista próximo daquele no qual se conta a história. O roteiro de Robert Towne é essencial na caracterização do personagem interpretado por Nicholson. São dele as piadas que Gittes conta o tempo todo. Essa malandragem é amolecida pelos diversos momentos em que o detetive acredita nas pessoas e é enganado, ou pelo envolvimento que acaba tendo com Evelyn Mulwray (Faye Dunaway), elemento central da estrutura sórdida do mundo por onde Gittes tem de circular. A parceria entre Towne e Polanski não se deu sem atritos. A tendência do diretor à negatividade não correspondia às aspirações do roteirista. Em vez de levar ao rompimento dos dois, no entanto, essa tensão tornou-se fundamental para dar profundidade ao filme, sem que um dos caminhos domine o outro no produto final. A resolução dos crimes é parcial. A punição dos criminosos, idem. A solidão do detetive, que aparenta ser negativa, numa prisão, pode ser também considerada o refúgio do protagonista contra a Los Angeles decaída". O filme, de fato, é uma beleza. Rubens Ewald Filho chegou a declarar: "eu assisti ao filme pela primeira vez numa viagem a Buenos Aires e não gostei, já era crítico e não me conformei com minha atitude. Depois fui ver de novo e percebi que havia reagido como espectador comum, que rejeita um final não-feliz tradicional, quando este era justamente uma das maiores qualidades do filme, fugir do convencional. Acabei fazendo a crítica favorável na certeza hoje comprovada que este era um dos melhores filmes da época, e provavelmente a obra-prima do gênero".
