23.4.12

"O Caçador de Troll" - Andre Ovredal (Noruega, 2010)

Sinopse: Na trama, um grupo de estudantes parte para o norte da Noruega com a missão de revelar uma conspiração do governo que tenta esconder do público da existência de trolls.
Comentário: Andre Ovredal (1973) é um cineasta e roteirista norueguês. "O Caçador de Troll" (2010) é o primeiro filme que vejo dele.
Trata-se de um roteiro original, escrito por Ovredal, que combina fantasia, aventura e terror dentro do formato de falso documentário. 
A narrativa acompanha um grupo de estudantes de cinema que decide investigar uma série de mortes de ursos no interior da Noruega. Durante a apuração, eles passam a seguir um homem misterioso chamado Hans, que afirma trabalhar para o governo como caçador oficial de trolls - criaturas gigantes do folclore escandinavo cuja existência é mantida em segredo pelas autoridades.
À medida que os jovens registram tudo com suas câmeras, o filme revela diferentes espécies de trolls inspiradas diretamente na mitologia nórdica, incorporando elementos tradicionais como a vulnerabilidade dessas criaturas à luz do sol. A proposta mistura humor, suspense e efeitos visuais para construir a ideia de que esses seres fazem parte de uma conspiração estatal cuidadosamente controlada. O uso do estilo documental, com câmera na mão e suposta captação improvisada, reforça a sensação de realismo dentro do universo fantástico.
"O Caçador de Troll" estreou no Festival de Sundance e circulou por diversos festivais internacionais, recebendo prêmios ligados ao cinema fantástico, como distinções no Fantastic Fest e no Sitges – Festival Internacional de Cinema Fantástico da Catalunha. O filme também foi indicado a prêmios nacionais na Noruega, incluindo o Amanda Award, uma das principais honrarias do cinema norueguês.
Entre as curiosidades mais comentadas está o fato de que o projeto foi desenvolvido inicialmente como uma produção de baixo orçamento e acabou se tornando um sucesso internacional, sendo vendido para diversos países. O realismo com que o governo fictício descreve protocolos de controle das criaturas - incluindo burocracias e testes de sangue para identificar “contaminação” por troll - tornou-se um dos elementos mais lembrados da obra. 
O que disse a crítica 1: Segundo Marcelo Hessell do site Omelete, "embora 'O Caçador de Troll' nos relembre, o tempo todo, que estamos numa brincadeira de metalinguagem (...), os momentos em que Ovredal filma Hans têm, sempre, uma procura por uma verdade, uma dramaturgia. O momento em que o caçador se despede da mulher e desaparece na neve, veja só, chega a nos tocar o coração. Quanto aos trolls, esses não merecem misericórdia".
O que eu achei: O longa parte de uma premissa curiosa: apresentar criaturas clássicas do folclore nórdico sob a estética de um falso documentário. Acompanhamos um grupo de estudantes que, ao investigar supostos ataques de ursos, descobre a existência de trolls mantidos em segredo pelo governo norueguês. A proposta mistura fantasia, humor e aventura com a linguagem de câmera na mão típica do found footage. Para quem se aproxima do filme com interesse específico no folclore escandinavo, há elementos realmente interessantes. As diferentes espécies de trolls, seus comportamentos, a vulnerabilidade à luz solar e até detalhes como a ligação com tradições cristãs oferecem um panorama criativo das lendas nórdicas. Nesse sentido, o longa funciona quase como uma releitura pop da mitologia regional, atualizando criaturas antigas para o século XXI. No entanto, como experiência cinematográfica, o resultado é mediano. O formato documental, que poderia intensificar o suspense, muitas vezes limita a construção dramática e deixa as cenas de ação visualmente confusas. O humor irônico dilui parte da tensão, e o desenvolvimento dos personagens é superficial, fazendo com que o envolvimento emocional seja reduzido. Há momentos divertidos e boas ideias conceituais, mas a narrativa se alonga sem ganhar maior densidade. Ainda assim, o filme tem mérito por levar o imaginário nórdico ao público internacional de maneira acessível e relativamente inventiva. Mesmo sem grande impacto dramático ou terror consistente, "O Caçador de Troll" (2010) cumpre a função de apresentar, sob uma lente contemporânea, figuras centrais da tradição escandinava. Para quem, como você, assistiu sobretudo para conhecer melhor esse universo mítico, a experiência vale mais como curiosidade cultural do que como obra marcante do gênero.