Sinopse: Uxbal (Javier Bardem) é um herói trágico, pai de dois filhos e à beira da morte. Ele luta contra uma realidade distorcida e um destino que trabalha contra ele, o impedindo de perdoar e amar. Está frente a frente com um mundo desestruturado e numa espiral decadente de degradação, mas tenta a todo custo manter a dignidade. Paralelamente, a história mostra a complexa situação dos imigrantes na Espanha.
Comentário: Alejandro González Iñárritu (1963) é um cineasta mexicano. Ele iniciou sua carreira profissional em 1984 como DJ na emissora de rádio mexicana WFM. A partir de 1988 começou a se dedicar a compor músicas para alguns filmes mexicanos. Estudou cinema em Maine e em Los Angeles. Na década de 1990 já estava encarregado da produção da Televisa. Em 1991 criou sua própria companhia, a Zeta Films, que produzia propagandas e curtas-metragens assim como programas de televisão. Seu primeiro filme, um curta-metragem, foi "Detrás Del Dinero" (1995), daí pra frente não parou mais. Assisti dele os ótimos "Amores Brutos" (2000), "21 Gramas" (2003) e "Babel" (2006). Agora vou conferir "Biutiful" (2010).
Comentário: Alejandro González Iñárritu (1963) é um cineasta mexicano. Ele iniciou sua carreira profissional em 1984 como DJ na emissora de rádio mexicana WFM. A partir de 1988 começou a se dedicar a compor músicas para alguns filmes mexicanos. Estudou cinema em Maine e em Los Angeles. Na década de 1990 já estava encarregado da produção da Televisa. Em 1991 criou sua própria companhia, a Zeta Films, que produzia propagandas e curtas-metragens assim como programas de televisão. Seu primeiro filme, um curta-metragem, foi "Detrás Del Dinero" (1995), daí pra frente não parou mais. Assisti dele os ótimos "Amores Brutos" (2000), "21 Gramas" (2003) e "Babel" (2006). Agora vou conferir "Biutiful" (2010).
Segundo Heitor Augusto do Cineclick, "Iñárritu abandonou as múltiplas histórias entrecortadas e montagem frenética de 'Babel' e 'Amores Brutos' para se dedicar a apenas um personagem. O resultado é 'Biutiful', no qual o cineasta mexicano mergulha na dor de um pai quase como um processo terapêutico. Um filme propositalmente nauseante e desconfortável. Se não é superinventivo, 'Biutiful' não deixa de ser sincero.
Como realizador, Iñárritu se expõe imensamente e chama um grande ator a fazer o mesmo: Javier Bardem, cujos grandes papéis são os quais ele se apropria da vida de seu personagem e embarca em sua essência, transcendendo a impressão de ser um ator vivendo outra vida para materializar uma pessoa na tela. (...) Na maioria das vezes consegue e apresenta um filme deliberadamente desconfortável. Assim como a vida de Uxbal, que de biutiful, como escreve sua filha, não tem nada".
O que eu achei: "Biutiful" (2010) é um mergulho profundo e visceral na jornada de Uxbal, um homem comum interpretado com uma intensidade arrebatadora por Javier Bardem. Diferente dos trabalhos anteriores do diretor, que fragmentavam narrativas entre múltiplos personagens, aqui a câmera se concentra quase que exclusivamente na trajetória deste pai solteiro, que vive à margem da sociedade em Barcelona. O filme não poupa o espectador, apresentando um realismo cru que aborda desde a exploração de imigrantes até a pobreza, mas sempre através da perspectiva íntima e humana de seu protagonista. A direção de Iñárritu é soberana, criando uma atmosfera opressiva, porém poética, onde o sobrenatural e a dura realidade coexistem de forma orgânica, refletindo a percepção única de Uxbal do mundo ao seu redor. A força do longa reside justamente na sua capacidade de encontrar lampejos de beleza e dignidade em meio à adversidade. A narrativa, embora densa e emocionalmente exigente, evita o sentimentalismo fácil. A luta de Uxbal para garantir um futuro para os filhos, para encontrar uma centelha de redenção em seus negócios sombrios e para enfrentar sua própria mortalidade com uma serenidade conquistada a duras penas é o que move o filme. A fotografia sombria, pontuada por cores quentes e texturas, e a trilha sonora discreta complementam perfeitamente o tom da obra. "Biutiful" é, acima de tudo, um testemunho poderoso sobre a responsabilidade, o amor paternal e a busca por significado em um contexto de grande desespero, consolidando-se como um drama humanista de impacto considerável.
