4.3.12

"As Pontes de Madison" – Clint Eastwood (EUA, 1995)

Sinopse: No verão de 1965, enquanto o marido Richard (Jim Haynie) e os filhos Michael (Christopher Kroon) e Carolyn (Annie Corley) estão viajando, Francesca Johnson (Meryl Streep), uma fazendeira de Iowa, recebe a inesperada visita do fotojornalista Robert Kincaid (Clint Eastwood), da National Geographic. Ele pede informações sobre as pontes de Madison, as quais deverá fotografar profissionalmente. Francesca fornece as informações, mas acaba se envolvendo com Kincaid.
Comentário: Clint Eastwood (1930) é um cineasta e ator americano. Assisti dele os ótimos "Menina de Ouro" (2004), "A Conquista da Honra" (2006) e "Cartas de Iwo Jima" (2006), os bons "A Troca" (2008), "Gran Torino" (2008), "Invictus" (2009) e "J. Edgar" (2011) e o não tão bom "Além da Vida" (2010). Desta vez vou conferir "As Pontes de Madison" (1995).
Segundo Conrado Heoli do Cineplayers, "muitos anos após viver Dirty Harry e protagonizar os faroestes antológicos de Sergio Leone, Clint Eastwood viria a dirigir um filme para comover 10 entre 10 corações apaixonados. 'As Pontes de Madison' é uma obra que mescla um belo romance e um drama bem estruturado, mesmo inserindo em sua narrativa alguns recursos um tanto óbvios para o gênero".
No longa, o fotógrafo Robert Kincaid não é inspirado diretamente em nenhum fotógrafo real específico. O personagem foi criado pelo escritor Robert James Waller no romance "The Bridges of Madison County" (1992), que serviu de base para o filme, e funciona mais como um arquétipo do fotojornalista viajante do que como um retrato biográfico.
Kincaid foi concebido como uma figura solitária, errante e contemplativa, alguém que percorre o interior dos Estados Unidos fotografando paisagens e culturas para a National Geographic, incorporando o imaginário associado à revista nas décadas de 1960 e 1970: liberdade, curiosidade pelo mundo e distanciamento da vida doméstica.
O que eu achei: Em "As Pontes de Madison" (1995), Clint Eastwood realiza um de seus filmes mais delicados e emocionalmente precisos, tratando o romance não como explosão passional, mas como experiência íntima, silenciosa e irreversível. A narrativa se constrói a partir de pequenos gestos, olhares e pausas, deixando claro que o verdadeiro conflito não está no amor em si, mas nas escolhas que o cercam. O filme entende que certas histórias não precisam de grandes reviravoltas para serem devastadoras; basta o peso do tempo, da responsabilidade e do que não pode ser vivido. O tema da fotografia atravessa o filme com rara sensibilidade, não apenas como profissão do protagonista, mas como metáfora do próprio ato de observar, enquadrar e preservar instantes. Para quem trabalhou por muitos anos fotografando e lecionando fotografia como eu, esse aspecto ganha ainda mais força: o olhar paciente, a atenção ao detalhe, a relação entre tempo, luz e espera dialogam diretamente com a experiência fotográfica. Robert Kincaid não é apenas um fotógrafo em cena; ele encarna uma maneira de estar no mundo, guiada pela contemplação e pela escuta. O que torna "As Pontes de Madison" tão marcante é justamente sua recusa ao melodrama fácil. Eastwood confia no silêncio, na maturidade emocional dos personagens e na dor contida de uma história que poderia ter sido, mas não foi. O resultado é um filme profundamente humano, que fala de amor, renúncia e memória com uma honestidade rara. Excelente.